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Plantas medicinais que podem ser cultivadas em casa

Quando a cabeça começa a latejar ou o estômago a ficar embrulhado, há quem prefira recorrer, primeiramente, às plantas medicinais, que são a base dos medicamentos fitoterápicos. Muitas espécies podem ser cultivadas sem a necessidade de muita técnica. Elas auxiliam na redução de desconfortos digestivos e da enxaqueca, no combate da gripe e até dão uma ajudinha contra a celulite, entre outras utilidades. Esses kits caseiros de primeiros socorros, além de contribuir para o bem-estar do morador, de quebra, dão uma bossa aos ambientes. O Morar Bem convidou o paisagista Rafael Carvalho para dar dicas de espécies medicinais para se ter em casa.

- Algumas espécies são capazes de prevenir enfermidades, aliviar sintomas e até mesmo ajudar na cura. Na antiguidade, as plantas medicinais eram a principal opção de tratamento e, atualmente, pesquisas científicas já comprovaram muitas propriedades medicamentosas de várias espécies.

O paisagista, no entanto, faz um alerta: muitas destas plantas são venenosas ou tóxicas, devendo ser usadas em doses muito pequenas para terem o efeito desejado.

- O cuidado deve ser redobrado se quem vai ingerir é uma gestante ou uma criança. Na realidade, toda planta, mesmo alimentícia, pode ser potencialmente tóxica dependendo da dosagem – alerta o paisagista.

Para a reportagem, ele fez uma seleção de seis plantas para tornar ao dia a dia da sua casa mais saudável. Sãos elas: alecrim, cana-do-brejo, capim-limão (ou capim-santo), tomilho, cavalinha e babosa

Alecrim – Rosmarinus officialis

Descrição

Arbusto muito ramificado, sempre verde, com folhas pequenas e finas. A parte inferior das folhas é de cor verde-acinzentada, enquanto a superior é quase prateada. As flores são de cor azul ou esbranquiçada. Floresce quase todo o ano e não necessita de cuidados especiais nos jardins. Exala um aroma forte e agradável. Utilizada para fins culinários, medicinais e religiosos, a sua essência também é utilizada em perfumaria, como por exemplo, na produção da água-de-colônia, pois contém tanino, óleo essencial, pineno, cânfora e outros princípios ativos que lhe conferem propriedades excitantes, tônicas e estimulantes.

Aplicações terapêuticas

Tem efeito estimulante contra o cansaço mental, contra doenças respiratórias e é considerado um antidepressivo natural. A medicina popular recomenda o alecrim como um estimulante às pessoas atacadas de debilidade, sendo empregado também para combater as febres intermitentes e a febre tifóide.

Uma tosse pertinaz desaparecerá com infusões de alecrim, que também são recomendadas a todas as pessoas cujo estômago seja preguiçoso para digerir.

O alecrim apresenta propriedades que reduzem os gases intestinais e facilitam o fluxo menstrual. É, ainda, relaxante muscular, ativador da memória e fortalece os músculos do coração. Cientistas dizem que ramos de alecrim deveriam ser pendurados em oficinas e áreas onde crianças fazem tarefas escolares para um melhor funcionamento da memória.

Modo de fazer o chá

Uma infusão de alecrim é feita com 4 gramas de folhas por uma xícara de água fervente. Deve ser tomada depois das refeições.

Dicas de cultivo

O alecrim gosta de solos pobres em nutrientes e bem drenados. É uma planta fácil de cultivar, bastante tolerante a pragas. Quando cultivado em vasos, deverá ser mantido de preferência aparado, de forma a evitar o crescimento excessivo. Só regue quando a terra do vaso estiver seca e deixe-o tomar sol o dia todo.

Valor aproximado da muda: R$ 3 a R$ 5

Cana do Brejo – Costus spicatus swartz

Descrição

Planta herbácea, nativa do Brasil. Possui haste dura, folha de cor verde-escura e avermelhada nas margens. As flores normalmente são amarelas ou cor de carmim.

Aplicações terapêuticas

O sumo das hastes diluídas em água são usadas contra doenças venéreas. A haste e o caules secos, em pó, são cozidos entre dois panos para curar hérnias. Em infusão, atua contra dores, cálculo renal, leucorreia e febres, inflamações dos rins, arterioesclerose, amenorréia, problemas na bexiga, cálculo renal, distúrbio menstrual, dor reumática, dores e dificuldade de urinar, inchaço, inflamações da uretra, nefrite e uretrite.

Modo de fazer o chá

Coloque em infusão duas colheres de sopa da erva para um litro de água fervente . Deixe levantar fervura, desligue o fogo e abafe por dez minutos. Coe. Tomar de três a quatro xícaras ao dia.

Dicas de cultivo

A cana do brejo é uma planta que não tolera temperaturas muito baixas.Normalmente é plantada em canteiros a pleno sol, com terra rica em matéria orgânica, que deve ser renovada a cada dois anos. Multiplica-se facilmente.

Valor aproximado: R$ 5 a R$ 10

Capim-limão/Capim-santo – Cymbopogun citratus

Descrição

Espécie originária da Índia, o capim-limão, ou capim santo, tem raízes fibrosas, escuras e numerosas. As folhas são moles, planas, estreitas e longas, aromáticas, com margens ásperas e cortantes. Têm lâmina de cor verde-grisácea com veios bem visíveis na face inferior e de cor verde-brilhante e lisa na face superior. Ainda é muito comum a confusão entre o capim-limão e a citronela. Afinal, ambos pertencem ao mesmo gênero. Mas, de acordo com o paisagista Rafael Carvalho, é possível diferenciá-las pelo aroma. O capim-limão apresenta um cheiro mais suave, que lembra o limão. Já o aroma liberado pela citronela é bem intenso.

Aplicações terapêuticas

Combate a insônia, atenua as dores de músculos doloridos, além das dores causadas por gases abdominais, cólicas uterinas e intestinais e o mal-estar causado pela gripe. Ajuda ainda a combater resfriados, tosse, catarro e disfunções gástricas.

Modo de usar

Folhas, por infusão, para atuar contra bronquite, resfriado, tosse, antiespasmódico, gases, digestivo, analgésico e calmante.

Para uso externo, como fungicida e antibacteriano.

Dicas de cultivo

Aprecia clima tropical e subtropical. Desenvolve-se melhor em solo areno-argiloso bem drenado. Exigente em matéria orgânica e nutrientes, as moitas devem ser desmanchadas ao final de um ano, para renovar o substrato do vaso, incorporando terra vegetal/húmus e areia. Ao retirar as mudas, deve-se encurtar as folhas e aparar as raízes, não deixando que sequem, mantendo-as umedecidas ou imersas em água.

Valor aproximado: R$ 3 a R$ 5

Cavalinha – Equisetum ssp

Descrição

A cavalinha é uma planta muito rústica e perene. O caule é de cor verde, com textura áspera ao tato por causa da presença de silício.

Considera-se que esta planta tenha mais de 300 milhões de anos sendo assim, comparativamente, uma das formas de vida vegetal mais antigas do mundo.

Aplicações terapêuticas

Suas propriedades adstringentes e diuréticas auxiliam no tratamento de diarréias, febres, infecções de rins e bexiga, cálculo renal e osteoporose. Estimulam a consolidação de fraturas ósseas. Agem sobre as fibras elásticas das artérias, atuam em casos de inflamação e inchaço da próstata, aceleram o metabolismo cutâneo, estimulam a cicatrização e aumentam a elasticidade de peles secas, sendo indicada ainda para o combate de hemorragias ou cãibras, úlceras gástricas e anemias.

É usada também como hidratante profundo, ajuda a evitar varizes e estrias, limpa a pele, fortalece as unhas, dá brilho aos cabelos, auxilia no tratamento da celulite e também da acne.

Modo de usar

Colocar uma colher de sopa de planta seca em meio litro de água fervente. Ferver por dois minutos. Cobrir. Deixar amornar até chegar à temperatura apropriada para beber. Coar. Tomar três xícaras de chá ao dia durante o tempo necessário à cura. O chá tomado em excesso pode provocar carência de vitamina B1.

Dicas de cultivo

Aprecia solo úmido, ou seja, gosta de regas frequentes, pois é nativa de brejos e terrenos alagadiços. Deve ser cultivada sempre em pleno sol.

Valor aproximado: R$ 5 a R$ 10

Tomilho – Thymus vulgari

Descrição

O tomilho possui folhas pequenas e flores róseas ou esbranquiçadas. É especialmente cultivado como condimento.

Seu óleo essencial, com apreciável poder anti-séptico, é muito utilizado contra as afecções pulmonares e como estimulante digestivo. Também é conhecido pelo nome de timo.

Aplicações terapêuticas

Tem propriedades antissépticas, tônicas, antiespasmódicas, expectorantes e vermífugas. Revigorante e tônico, é essencialmente usado como remédio respiratório.

Modo de usar

Em infusão , é usado no combate a infecções de garganta e pulmonares, na asma e febre dos fenos e na eliminação de parasitas. Externamente, alivia picadas, dores reumáticas e infecções fúngicas.

Dicas de cultivo

Planta que requer pouco cuidado e prefere terrenos secos. O melhor período para plantação é na primavera. A planta gosta de sol e resiste muito bem a tempo seco. O excesso de água pode queimar as folhas de baixo causando a morte da planta.

Valor aproximado: R$ 3 a R$ 5

Babosa-medicinal – Aloe vera

Descrição

A aloe vera é uma planta rústica originária de regiões desérticas. Por causa do meio hostil em que se desenvolve, ela adquiriu inúmeras capacidades para sobreviver. É usada principalmente pelas suas propriedades medicinais ou como planta ornamental. As folhas de aloe vera contém um tipo de gel e é essa substância que é utilizada pela medicina alternativa. No Brasil, a aloe vera também é conhecida como babosa. Apenas quatro espécies são seguras para uso em seres humanos, dentre as quais destacam-se a aloe arborensis e a aloe barbadensis miller, sendo esta última reconhecida como a espécie de maior concentração de nutrientes no gel da folha.

Aplicações terapêuticas

O aloe vera é uma planta utilizada para diversos fins medicinais há muitos anos. Geralmente é utilizada para problemas relacionados à pele (acne, queimaduras, psoríase, hanseníase, etc). É um poderoso regenerador e antioxidante natural. A esta planta são reconhecidas propriedades antibacteriana, cicatrizante, hidratante do tecido capilar ou dérmico danificado por uma queimadura, entre outras. Aplicada sobre uma queimadura ajuda rapidamente a retirar a dor e reparador do tecido queimado, pelo seu efeito hidratante e calmante. É indicado para queda de cabelo, caspa, dar brilho ao cabelo, combate aos piolhos e lêndeas. No entanto, não deve ser ingerida por mulheres durante a menstruação ou gravidez. Também deve ser evitada nos estados hemorroidários. Não usar internamente em crianças

Modo de usar

São usadas 50 gramas de folhas descascadas, trituradas com 250 ml de álcool e 250 ml de água. Em seguida, a tintura deve ser coada e utilizada sob a forma de compressas e massagens nas contusões, entorces e dores reumáticas.

Infusão:

Já quem tem queda de cabelo, caspa, piolhos ou lêndeas deve passa a babosa pelo processo de infusão . Lave as folhas frescas, tire a casca e fique somente com a polpa. Coloque uma porção de polpa amarelada em um copo de água fervente, abafe por 15 minutos e coe com uma peneira. Lave a cabeça e, em seguida, aplique o produto resultante no couro cabeludo, massageando ligeiramente. Deixe agir por uma hora. Enxágüe a cabeça com água quente ou morna. No caso de piolhos ou lêndeas, passar o pente fino em seguida.

Dicas de cultivo

Cultivada a sol pleno em solo bem drenado (terra vegetal e areia). É muito resistente a solos secos e de baixa fertilidade.

Valor aproximado: R$ 10 a R$ 25

Fonte: O Globo

Romã: novos estudos

Ela surgiu na região do sudoeste asiático, entre o Mediterrâneo e o Irã, e, nos textos bíblicos, é associada às paixões e à fecundidade. Na crença popular nacional, atrai dinheiro. Para pesquisadores, as sementes e a polpa da romã, o fruto da romãzeira, têm muito mais poderes: um alto teor de flavonoides (antocianinas) e outros potentes antioxidantes, como vitamina C, e ação de proteção contra câncer. Tanto que especialistas da Embrapa Agroindústria de Alimentos, em parceria com a Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), e a UFRJ iniciaram estudos visando melhorar a produção do fruto no Brasil e estimular o seu consumo entre os brasileiros.

E eles têm bons motivos para apostar nessa pesquisa. Estudos prévios, realizados na Universidade de Baroda, na Índia, já mostraram que a romã tem três vezes mais capacidade antioxidante que o vinho e o chá verde – tradicionalmente os mais incensados por tal característica.

E, apesar de os médicos ainda não recomendarem seu consumo para prevenir ou tratar doenças da próstata, inclusive o câncer na glândula, uma investigação da Universidade da Califórnia indicou que o suco de romã diminui a velocidade de aumento do antígeno prostático específico, o PSA, um marcador para o tumor maligno. Segundo os primeiros resultados, a bebida ajudaria a reduzir a multiplicação de células cancerígenas.

Nessa pesquisa, apresentada há dois anos no Congresso Americano de Urologia, médicos acompanharam 48 pacientes por seis anos. Eles bebiam cerca de 240ml de suco de romã por dia. Entre 15 e 60 meses depois, 60% dos pacientes apresentaram redução do PSA.

Isso é bem provável, afirma Regina Isabel Nogueira, coordenadora da pesquisa com a romã na Embrapa. Até porque as propriedades antiinflamatórias e vermífugas do fruto são conhecidas há bastante tempo:

- A romã pode ser considerada um dos melhores alimentos funcionais, isto é, além de nutrir, ela traz benefícios à saúde. É um potente antioxidante que auxilia na eliminação de excesso de radicais livres no organismo, as moléculas que em grande quantidade aceleram o envelhecimento e favorecem o aparecimento de doenças.

O problema é que há poucas áreas no Brasil, como o semiárido nordestino, onde o fruto pode ser cultivado em grande quantidade e com qualidade. Daí a importância do estudo da Embrapa. Os pesquisadores buscam produzir o melhor fruto – adaptado ao solo e ao clima brasileiro – entre espécies selecionadas lá fora, e usá-lo de diferentes maneiras. Tudo será aproveitado.

- Precisamos ver, por exemplo, se a atividade antioxidante encontrada no fruto cultivado aqui será tão boa quanto o produzido lá fora. Trouxemos espécies de diferentes países e estamos analisando vários aspectos. Por exemplo, algumas frutas são mais doces, outras nem tanto – diz Regina. – Ainda não sabemos qual vai se adaptar melhor e terá o sabor mais agradável ao paladar brasileiro.

Consumo também em forma de suco

A romã pode ser consumida em forma suco (inclusive em pó). Já o seu óleo é obtido por prensagem das sementes. A pesquisa ainda prevê a opção de cristalizar a casca, expondo-a em contato com a calda de açúcar para reduzir em até 50% o teor de água. Com isto, aumenta-se o tempo de conservação da fruta e seu peso e volume diminuem, gerando economia no custo de transporte, além de adocicar seu sabor levemente ácido.

- Esse processo é simples e pode despertar o interesse de produtores. A romã poderá ser consumida de forma semelhante ao gengibre cristalizado – explica. – O mercado para produtos extraídos da romã é grande em todo o mundo. Porém, in natura, ainda é um fruto caro para a maioria da população. Cerca de um 1kg sai por quase R$ 15. Porém se conseguirmos uma boa mistura, de qualidade, o consumidor não precisará comprar tantos frutos para ter seus benefícios.

No Brasil, o chá à base de casca de romã tem sido consumido como antibiótico, mas isso ainda precisa ser mais bem pesquisado, assim como os benefícios de outras formas de preparo da fruta. Sementes, casca e polpa estão sendo estudados.

Fonte: O Globo

Sinergia nas plantas medicinais

Marcelo Guerra

As plantas medicinais têm sido usadas como tratamento de doenças desde que o ser humano deixou de ser nômade e estabeleceu a agricultura. Muitas fazem parte de rituais de povos indígenas e religiões em diferentes lugares de mundo. O interesse pela fitoterapia, que é como é chamado o tratamento com plantas medicinais, vem crescendo exponencialmente desde o último século, impulsionado pela busca de uma medicina que causasse menos efeitos colaterais que a alopatia.

Boa parte dos remédios alopáticos, porém, são derivados de produtos extraídos de plantas medicinais. O ácido acetilsalicílico, substância ativa da Aspirina, é um exemplo clássico, extraído de uma espécie de salgueiro. Esta é a utilidade das plantas medicinais para a medicina alopática: fonte de substâncias ativas que devem ser isoladas, patenteadas e transformadas em comprimidos que vão encher as prateleiras das drogarias.

O fator complicador é que as substâncias ativas, quando isoladas, geralmente provocam efeitos colaterais danosos às pessoas. A fitoterapia faz uso das plantas em sua forma integral, pois há uma sinergia entre as substâncias que a compõem que evita que uma fique em excesso no organismo, provocando um efeito desagradável ou nocivo.

Uma história que mostra a importância da sinergia na fitoterapia é o uso com sucesso da kawa-kawa. A kawa-kawa (Piper methisticum) é uma planta comum no Havaí, e muito consumida pelos havaianos como uma bebida que causa relaxamento e sono. Ora, se há um tipo de remédio que nós ocidentais adoramos, são aqueles que nos fazem relaxar. Começou-se a prescrever e vender kawa-kawa no mundo todo. Através de análise bioquímica, descobriu-se a substância ativa que produzia o relaxamento e passou-se a produzir extratos de kawa-kawa que obtivessem o máximo dessa substância. Resultado: começaram a aparecer pessoas com cirrose no fígado pelo uso da kawa-kawa. E por que os havaianos não têm mais cirrose do que a população que não consome kawa-kawa nos outros países? Bem, o processo moderníssimo de extração diminuía a concentração de outras substâncias que são protetoras do fígado. Ou seja, o mal que uma substância provoca é anulado por outra substância da mesma planta! O extrato padronizado implica num risco à saúde muito maior do que o benefício que ela provoca. Voltou-se a usá-la então do modo mais primitivo, que é a tintura mãe, que causa o relaxamento esperado sem provocar a destruição do fígado.

Este caso ilustra o risco que as plantas medicinais podem oferecer, mas mostra que este risco é geralmente fruto de não se reconhecer a especificidade da fitoterapia e lidar com as plantas com os mesmos métodos da alopatia. Quando elas são usadas segundo observações de seu uso tradicional, dificilmente causam efeitos adversos. As plantas medicinais precisam ser mais estudadas, não de forma reducionista como a alopatia costuma fazer, mas de uma maneira interdisciplinar, por médicos, farmacêuticos, antropólogos e biólogos, para que possam oferecer seus recursos terapêuticos a muito mais pessoas.

Fitoterapia X Dráuzio Varella

Sujando a imagem da pesquisa brasileira

Nas duas últimas décadas, o Brasil tem se esforçado para desenvolver pesquisas farmacêuticas na área de fitoterápicos, à revelia de qualquer apoio público de pesquisa científica. Não se pode esquecer que países europeus, como a Alemanha, saíram na frente com medicamentos nascidos de plantinhas de nossas florestas. Por lá, parece mais fácil entender que manter acesas linhas de pesquisas em fármacos e medicamentos faz parte de um plano de soberania. Por aqui, vivemos de pastos e manadas, apenas.

Houve um momento recente na História do país que os órgãos envolvidos em subvencionar, aprovar e patentear o resultado das pesquisas brasileiras em fármacos e medicamentos fitoterápicos, simplesmente, faziam-se de esquecidos e desinteressados, rigorosos a ponto de nem mesmo aceitar estudos realizados por universidades federais. Isso um dia tem de ser contado de forma mais transparente, citando os impedidores e seus chefes como desarticuladores da indústria farmacêutica nacional, por um lado, desorganizadores da pesquisa nas universidades e fundações a partir de plantas de nossas florestas, por outro lado. E, enfim, como inibidores da soberania nacional em área que não deveríamos descuidar nem por um segundo. Fazer o quê, se as vozes escutadas são sempre a de falsos profetas e doutos generalistas que, uma vez na mídia, ocupam-se do lugar de autoridade e aí, adeus anos, décadas de esforços, ações, pesquisas. Suja a imagem da pesquisa nacional e se refestela ao chamar todos de conspiradores.

De forma clara, refiro-me aos comentários impertinentes e desavisados que o médico oncologista Drauzio Varella – autor e apresentador de sucesso, por seus livros, artigos na imprensa e participações no programa dominical Fantástico – costuma fazer sobre medicamentos fitoterápicos. Estou certo que, para levar a cabo seus comentários, deveria consultar alguns colegas que há muito tempo somam esforços para fazer valer a importância do que há em nossas matas e o resultado científico disso como fármacos e medicamentos. Ao consultar alguns deles, percebi que o médico Drauzio Varella tira conclusões próprias e apressadas. Ou, muito provavelmente, faz consultas a pessoas que jamais tiveram sensibilidade com as pesquisas brasileiras com fitoterápicos. O resultado pode-se ver, também, na série É bom para quê?, que estréia neste domingo, dia 29, no Fantástico, que a Rede Globo exibe às 20h50, e que terá quatro episódios, e na entrevista ao site da revista Época, na coluna da jornalista Cristiane Segatto, publicada no dia 13 de agosto, acentuada de que fez “ampla investigação sobre ervas e fitoterápicos”, “levantou evidências científicas relacionadas às ervas mais usadas no Brasil” e mergulhou “no mundo obscuro dos fitoterápicos”. Ao final de sua série e de sua entrevista, qualquer um pode se perguntar a quem ele se prestou defender com vastas observações aleatórias e imprecisas. Todavia, concluiu que “os brasileiros estão sendo enganados”.

Vamos, então, viajar em algumas destas surpreendentes afirmações do médico Drauzio Varella. O médico diz que o Ministério da Saúde criou uma medicina para pobres ao incluir oito medicamentos fitoterápicos em sua cesta de distribuição pelo SUS. “ (…) plantas que não têm atividade demonstrada cientificamente. Quando dizem que determinada planta tem atividade isso significa que em tubo de ensaio ela demonstrou ter determinada ação. Mas isso não basta. Para ter ação comprovada em seres humanos, falta muita coisa”, disse Drauzio Varella. E fataliza que quer mostrar que os fitoterápicos “têm de ser estudados. Têm de ser submetidos ao mesmo escrutínio ao qual medicamentos comuns são submetidos. Essas coisas são jogadas para o público sem passar por estudo nenhum”. Ele se refere a: 1) Aroeira (Schinus terebinthifoliusRaddi), 2) Alcachofra (Cynara scolymus L.), 3) Cáscara sagrada (Rhamnus purshiana D.C.), 4) Garra do diabo (Harpagophytum procumbensD.C.), 5) Guaco (Mikania glomerata Spreng.), 6) Soja (Glycine Max), 7) Unha de gato (Ficus pumila), 8) Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia). Para facilitar a vida de Dr. Varella, cito os estudos relativos ao “Uso da Aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi) para Tratamento de Infecções Vaginais” e “Tratamento da vaginose bacteriana com gel vaginal de aroeira Schinus terebinthifolius Raddi KRONEL” (Luiz Carlos Santos e Melania Maria Amorim, do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP) / Centro de Atenção à Mulher (CAM), referências no Brasil). O médico Dráuzio Varella não sabe o que diz. Não sabe mesmo. Como se diz por aí, não sabe da missa um terço. Não sabe os rigores da ANVISA, bem mais rigorosa na aprovação de medicamentos que sua coirmã europeia e a americana. Se soubesse disso, saberia que há registros de fitomedicamentos similares aos nossos na Europa e Estados Unidos, enquanto nós, brasileiros, não conseguimos esses registro no país, tampouco patenteá-los. O argumento de que os fitomedicamentos não têm validade por estarem na ANVISA registrados como alimentos é uma falácia, para não dizer ignorância do processo histórico das pesquisas com fitoterápicos no Brasil e a luta travada com os órgãos de registro.

Para dar algum conhecimento a quem precisa de algum, a maioria dos estudos brasileiros com fitoterápicos, cumprindo todos os requisitos internacionais de pesquisa clínica, são colocados em um fila interminável de espera e exigências. Resta aos laboratórios, em parceria com centros de pesquisas, recorrerem à intermediação da justiça para fazerem o medicamento incluir-se em algum lugar de validade. O Dr.Varella diz: “se eu tivesse autoridade [para proibir os fitoterápicos], mandaria recolher do mercado todos os fitoterápicos cuja eficácia não tenha sido demonstrada cientificamente”. E adverte que, pensando assim, alguém dirá que ele fala em nome dos grandes laboratórios. Sugere que – fora ele que imagina um complô fitomedicaperigoso contra a saúde pública – quem pensar que ele pensa assim faz parte de uma teoria da conspiração. Não acho. Acho que Dr. Varella não sabe nada das pesquisas brasileiras sobre fitoterápicos e é uma lástima que chegue a ele tanto dinheiro para maldizer os esforços brasileiros de pesquisa, confundindo – valha-me, Deus! – medicamentos com chazinhos. Seu desejo autoritário, contudo, para seu conhecimento, sempre se manteve no país e, provavelmente, para seu conhecimento, é um dos fatores mais atuantes para o entrave das pesquisas nacionais no aproveitamento das nossas riquezas naturais. São os “doutores” Varella brasileiros, que pensam – por ignorarem coisas como Boas Práticas de Fabricação e Programas de Bioequivalência, em uso no país – que não ajudam o Brasil a ter condições de produzir e patentear medicamentos a partir de seu potencial. É o mesmo tipo que diz que tiraria do mercado esse ou aquele medicamento, provavelmente, porque foi ao lugar errado para saber das pesquisas com fitomedicamentos no país. Felizmente, o poder deles é bem limitado. Felizmente e para nossa segurança. O Dr. Varela está sendo no mínimo deseducado, além de mal informado, com uma gama quase inumerável de mestres, doutores e pós-doutores nas áreas de química de produtos naturais, farmacêuticos, químicos, médicos; de industriais sérios, de centros de pesquisas sérios que há anos estão querendo trazer o Brasil para o andar de cima. Mas existe gente como o Dr. Varela querendo puxar o Brasil para o andar de baixo. Chega Dr. Varela, acorde, o Brasil mudou, o senhor também deve mudar com os que querem ver o Brasil no andar de cima.

Quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Josimar Henrique é Presidente da Hebron Farmacêutica – www.hebron.com.br e Diretor Temático de Assuntos Parlamentares da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades – ABIFINA – www.abifina.org.br.

E-mail: presidencia@hebron.com.br.

Calêndula protege contra efeitos da radiação solar

>> Esta pesquisa acentua a valorização do conceito de Sinergia, ou seja, as propriedades da planta toda são diferentes de seus componentes isolados, e contrabalançam possíveis efeitos nocivos que estes componentes possam ter.

Testes realizados na Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP) da USP revelam que o extrato da calêndula (Calendula officinalis), planta originária da região mediterrânea entre Europa, África e Ásia, é eficaz para proteger a pele contra os efeitos da radiação ultravioleta emitida pelo Sol. Experiências realizadas com animais mostraram que as formulações contendo o referido extrato reduzem o estresse oxidativo causado pelos raios solares, promovendo efeito fotoprotetor e retardando o envelhecimento da pele.

A calêndula foi adaptada às condições climáticas do Brasil e, segundo a farmacêutica Yris Maria Fonseca, é usada popularmente como agente antiinflamatório tópico contra queimaduras, especialmente as provocadas pelo Sol. “O estudo verificou se o extrato de calêndula também seria eficaz contra os danos causados pela radiação solar, comprovando cientificamente um de seus usos populares”, conta Yris, que é uma das responsáveis pelo estudo.

Os experimentos foram realizados com camundongos de laboratório geneticamente modificados, sem pelo, que tiveram lesões induzidas por luz ultravioleta. “Verificou-se o estresse oxidativo, alterações na morfologia do tecido e das células e a presença de inflamação da pele”, aponta Yris. “As análises mostram que o extrato de calêndula, administrado por via oral ou tópica, foi eficaz para prevenir o estresse oxidativo causado pela radição solar.”

Na pesquisa, foi possível inibir totalmente o estresse oxidativo, deixando a pele dos ratos semelhante à de animais que não receberam radiação.“O extrato também estimulou a síntese de colágeno, o que pode evitar o aparecimento de sinais característicos de pele envelhecida, como rugas e perda de elasticidade”, acrescenta a farmacêutica.

Potencial
De acordo com Yris, o extrato de calêndula apresenta uma grande quantidade de flavonóides e polifenóis, substâncias com reconhecido potencial antioxidante. “Acredita-se que a redução do estresse oxidativo aconteça não por causa de um composto isolado, mas devido ao efeito sinérgico entre as substâncias presentes no extrato de calêndula”, explica.

No estudo, a calêndula foi testada em três formulações diferentes, sendo que uma formulação do tipo gel apresentou melhor desempenho para fotoquimioproteção. “Para que o produto seja disponibilizado comercialmente, serão necessários novos testes, relacionados à segurança e toxicidade, entre outros aspectos”, observa a farmacêutica.

O extrato também passou por testes de citotoxicidade, realizados em duas linhagens de células tumorais e uma de células normais. ”O maior efeito tóxico foi registrado nas linhagens tumorais, preservando a normal, o que demonstra o potencial para o tratamento de câncer”, aponta Yris. “Entretanto, este é um resultado preliminar, que precisará ser confirmado em estudos específicos”.

A pesquisa sobre os efeitos da calêndula em lesões agudas provocadas pela radiação solar faz parte da tese de doutorado de Yris, realizada no Laboratório de Controle de Qualidade de Medicamentos e Cosméticos da FCFRP. O trabalho teve a orientação da professora Maria José Vieira Fonseca, da FCFRP. Em sua pesquisa de pós-doutoramento, a farmacêutica irá investigar o efeito fotoquimioprotetor da calêndula sob a radição exposta cronicamente, em longo prazo.

Fonte: Agência USP de Notícias

Curso: VIRTUDE DA PLANTA PLANTAS MEDICINAIS E AROMÁTICAS

Aspectos do uso terapêutico e do cultivo orgânico

Organização:

Dra. Eloísa C. Pimentel de Magalhães- Médica
Prof. Dr. Pedro Melillo de Magalhães- eng. Agrônomo- CPQBA-UNICAMP

05 de dezembro de 2009 (sábado)

PROGRAMA

Recepção e inscrições- 8:30- 9:00
1. O Caminho da Fitoterapia – 9:00 às 9:30 (Dra Eloísa)
- Histórico do uso, saber popular e medicina tradicional

- Potencial terapêutico e Conceitos fundamentais no uso de plantas medicinais

2. Da Planta ao Medicamento – 9:30 às 12:30 (eng.agrônomo)
- Noções de identificação botânica
- Bases para a produção sustentável de plantas medicinais
- Qualidade nas operações de cultivo orgânico e secagem- estudo de casos

- Demonstração de busca em sites específicos (on-line)

- Relato de experiências e de visitas a hortos e serviços no exterior (Bélgica, Inglaterra)

- Prática de observação de plantas medicinais
Almoço – 12:30 às 13:30

13:30 ÁS 14:00 -**VISITA EM HORTA DE PLANTAS MEDICINAIS**

3. Utilização Terapêutica – 14:30 às 18:00 (Dra Eloísa)
- Critérios de bom uso,  panorama atual e pesquisas recentes

- Fitoterapia em Serviço Público: experiência e estratégias de implantação

- Preparo de infusão, tinturas, xaropes e  cremes – vídeo
- Fitoterápicos mais utilizados nas patologias mais freqüentes

- Aplicações práticas e auto-cuidado- uso das plantas no dia-a dia
- Uso de plantas aromáticas na alimentação – temperos e especiarias

4. Avaliação e certificado- 18:00 às 18:30

O curso é apostilado

INVESTIMENTO   R$ 200,00

Desconto de 10% para estudantes e servidores públicos

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Espaço Spiralis – Ecomercado Avis rara
Rua Rei Salomão, 295 – Sousas – Campinas

Fone: (19) 3258-8241 / 3258-9224
spiralis@avisrara.com.br http://www.avisrara.com.br

Realização: VIRTUDE DA PLANTA

virtudedaplanta@gmail.com http://virtudedaplanta.blogspot.com

Plantas medicinais podem fazer mal?

Taraxacum

CRISTIANE SEGATTO

Quatro em cada dez americanos recorrem a algum tipo de terapia alternativa para cuidar da saúde. Um dos recursos mais procurados são os fitoterápicos, em forma de cápsulas ou chás. A informação faz parte de uma pesquisa divulgada pelo Centro Nacional de Medicina Complementar e Alternativa (NCCAM). Esse é um órgão do governo americano que pretende regulamentar o setor e submeter as terapias a estudos científicos.

É um esforço para lançar luzes numa área cheia de crenças infundadas. E também para comprovar e reconhecer os benefícios de práticas tradicionais que podem melhorar a qualidade de vida da população. Vinte e oito prestigiadas universidades, como Harvard, Columbia e Duke, participam dessa iniciativa.

Até recentemente, o casamento entre os tratamentos convencionais e as terapias alternativas parecia impossível. Havia radicais dos dois lados. O que se vê hoje nos Estados Unidos é uma tentativa de harmonizar as duas áreas. Esse esforço deu origem a um novo campo que tem sido chamado de medicina integrativa.

Há um movimento semelhante no Brasil – ainda que menos organizado. Não se sabe, por exemplo, quantos brasileiros consomem chazinhos e outras formas de fitoterapia ao mesmo tempo em que se tratam com medicamentos alopáticos. Não estranharia se uma pesquisa demonstrasse que mais da metade da população faz isso.

Temos no Brasil o costume de achar que tudo o que é natural é necessariamente benéfico. Sobre o hábito de tomar chazinhos da vovó para enfrentar os mais diversos incômodos, há um ditado bastante conhecido: “Se não fizer bem, mal não faz”. Essa ideia está arraigada na cultura nacional, mas é totalmente equivocada.

“É um erro pensar dessa forma. A natureza tem venenos poderosos”, diz o pesquisador João Ernesto de Carvalho, do Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele é especialista em Farmacologia e Toxicologia.

Carvalho faz um importante alerta: “Quase 100% das escolas médicas não tem a disciplina de fitoterapia”, diz. “Os médicos desconhecem as plantas medicinais e como elas podem interferir na ação dos remédios que eles receitam”, afirma.

Esse é um grande problema. As plantas medicinais interferem na forma como os remédios convencionais agem no organismo. Podem inibir ou exacerbar a ação deles. Alteram o metabolismo dos medicamentos. Eles podem perder a eficácia ou se acumular no organismo.

Nem os médicos, nem os pacientes se dão conta disso. Quem toma uns chazinhos ou umas cápsulas naturais não conta ao médico. Acha que a informação é irrelevante ou teme ser ridicularizado.

Precisamos aprender que essa informação pode fazer toda diferença. Alguns exemplos de interações perigosas entre ervas e remédios:

* A pata-de-vaca (Bauhinia forticata) é uma planta popularmente usada contra o diabetes. O chá dessa erva pode causar hipoglicemia no diabético. Sem saber que esse efeito é provocado pelo chá, o médico pode achar que é necessário reduzir a dose dos remédios. Se isso for feito e a pessoa parar de tomar o chá, os níveis de açúcar no sangue podem subir. “Essa oscilação pode trazer sérios danos ao tratamento e à saúde do paciente”, diz Carvalho.

* Cápsulas de alho (Allium sativum) têm efeito antihipertensivo, antitrombótico e antioxidante. São usadas para prevenir doenças cardiovasculares. Mas não devem ser consumidas por pessoas que tomam anticoagulantes orais e aspirina. Uma outra interação muito perigosa: cápsulas de alho podem reduzir a atividade dos antivirais usados no tratamento da aids.

* A erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) costuma ser usada para ajudar a combater a depressão. Muitos pacientes de aids que sofrem de depressão costumam tomar chás dessa erva. Mas atenção: ela também reduz a concentração das drogas anti-HIV no sangue. O tratamento perde eficácia. É ou não é um assunto sério?

* O chá verde (Camellia sinensis) é usado como antioxidante e para ajudar a reduzir os níveis de colesterol. Mas não deve ser usado junto com drogas vasodilatadoras coronarianas ou com a teofilina, um broncodilatador pulmonar.

* O gengibre (Zingiber officinale) ajuda a reduzir náuseas e cólicas. Também estimula a circulação e a digestão. Mas pode provocar fortes reações gástricas. Também não deve ser usado junto com remédios anticoagulantes.

* O suco da toranja (Citrus x paradisi), também chamada de grapefruit, contém uma substância que inibe o metabolismo de remédios contra a hipertensão. Quem tem o costume de tomar esse suco frequentemente (o que é comum nos Estados Unidos) corre o risco de sofrer uma crise de hipertensão. E, provavelmente, vai culpar os remédios pela falha.

Esses são exemplos de algumas interações comprovadas pela ciência. Pode ser que existam muitas outras. O desconhecimento é geral. Carvalho acredita que a situação pode se agravar nos próximos meses. Em 2010, o Ministério da Saúde pretende lançar a Relação Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Renafito). A ideia é estimular o uso desses produtos no SUS.

“Se a população e os médicos não forem muito bem orientados sobre o uso desses recursos naturais, é possível que muita gente venha a enfrentar problemas”, afirma Carvalho.

O Ministério da Saúde divulgou uma lista de 71 plantas que considera útil no tratamento de doenças. Agora está na fase de recolher evidências científicas da segurança e da eficácia dessas plantas. A divulgação da lista definitiva está prevista para julho.

“Vamos oferecer um curso aos médicos do SUS para que eles saibam quando e como adotar plantas e fitoterápicos”, diz Katia Torres, consultora do departamento de assistência farmacêutica e insumos estratégicos do Ministério da Saúde.

Os brasileiros – médicos e pacientes – precisam passar por uma mudança cultural, aprender a encarar as ervas de uma outra forma. Não devemos negar o valor dos recursos naturais nem desprezar o conhecimento tradicional dos indígenas e de outros grupos que nos ensinaram a combater tantos males. Precisamos, porém, reconhecer que o que é natural também pode fazer mal.

Até a Segunda Guerra Mundial, a maioria dos remédios era derivada de substâncias encontradas na natureza. Com o surgimento da síntese química, a forma como lidamos com os remédios mudou. É mais fácil observar e comprovar os efeitos colaterais dos medicamentos criados em laboratório. “Foi daí que surgiu a ideia de que os remédios sintéticos são uma coisa perigosa, cheia de efeitos indesejados”, diz Carvalho.

Esses efeitos colaterais existem e são muitos. Mas as plantas não são necessariamente inocentes ou inócuas. Elas também podem produzir graves efeitos indesejados. A diferença é que eles são desconhecidos ou desprezados. Posso dar um conselho? Se você é adepto do chazinho ou das cápsulas naturais não esconda esse fato de seu médico. Ele é muito relevante.

Fonte: Revista Época

Curso: VIRTUDE DA PLANTA – PLANTAS MEDICINAIS E AROMÁTICAS

Aspectos do uso terapêutico e do cultivo orgânico

Organização:

Dra. Eloísa C. Pimentel de Magalhães- Médica
Prof. Dr. Pedro Melillo de Magalhães- eng. Agrônomo- CPQBA-UNICAMP

5 de dezembro de 2009 (sábado)

PROGRAMA

Recepção e inscrições- 8:30- 9:00
1. O Caminho da Fitoterapia – 9:00 às 9:30 (Dra Eloísa)
- Histórico do uso, saber popular e medicina tradicional

- Potencial terapêutico e Conceitos fundamentais no uso de plantas medicinais

2. Da Planta ao Medicamento – 9:30 às 12:30 (eng.agrônomo)
- Noções de identificação botânica
- Bases para a produção sustentável de plantas medicinais
- Qualidade nas operações de cultivo orgânico e secagem- estudo de casos

- Demonstração de busca em sites específicos (on-line)
- Prática de observação de plantas medicinais

Visita à horta de plantas medicinais

Almoço – 12:30 às 14:00

3. Utilização Terapêutica – 14:00 às 18:00 (Dra Eloísa)
- Critérios de bom uso, panorama atual e pesquisas recentes

- Fitoterapia em Serviço Público: experiência e estratégias de implantação

- Preparo de infusão, tinturas, xaropes e cremes – vídeo
- Fitoterápicos mais utilizados nas patologias mais freqüentes

- Aplicações práticas e auto-cuidado- uso das plantas no dia-a dia
- Uso de plantas aromáticas na alimentação – temperos e especiarias

4. Avaliação e certificado- 18:00 às 18:30

O curso é apostilado

INSCRIÇÕES ANTECIPADAS

INVESTIMENTO
R$ 180,00 até 18/11 e R$ 200,00 após
Desconto de 10% para estudantes e servidores públicos

INFORMAÇÕES E INSCRIÇÕES:
Espaço Spiralis – Ecomercado Avis rara
Rua Rei Salomão, 295 – Sousas – Campinas Fone: (19) 3258-8241 / 3258-9224
spiralis@avisrara.com.br

http://www.avisrara.com.br

Realização: VIRTUDE DA PLANTA

Alfazema

alfazema
Sinônimos: Lavandula vera, Lavandula officialis, alfazema do mato: Excitante   e antiespasmódica. Na falta de regras, promove ou restabelece o fluxo  menstrual. Usa-se o chá das folhas para expelir gases intestinais. Para   asma, afecções do fígado e baço, nervosismo, dor de cabeça, neurose   cardíaca, flatulência, tosses catarrais, feridas, abcessos, acne,  reumatismo, gota. Sua essência combate piolhos e outros parasitas. A infusão  das sementes serve para digestões difíceis.

Plantas medicinais no SUS – 1º passo

aroeira

BRASÍLIA – Alcachofra para ajudar na digestão, aroeira da praia para combater inflamação vaginal e unha-de-gato para dores nas articulações. A sabedoria popular conhece há muito tempo o poder das plantas, que começa a ser comprovado cientificamente. Por isso, o Ministério da Saúde elaborou uma lista com 71 plantas que poderão gerar produtos para serem usados pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O objetivo da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus) é orientar estudos que possam subsidiar a elaboração da relação de fitoterápicos disponíveis para uso da população, com segurança e eficácia para o tratamento de determinadas doenças. A relação deverá ser revisada e atualizada periodicamente.

A partir de 2009, o SUS pretende ampliar a lista de medicamentos fitoterápicos disponíveis na assistência farmacêutica básica em todo o país. Atualmente, são oferecidos fitoterápicos derivados de espinheira santa, para gastrites e úlceras, e de guaco, para tosses e gripes.

Os fitoterápicos são os medicamentos obtidos exclusivamente a partir de matérias-primas ativas vegetais. Os medicamentos fitoterápicos utilizados pelo SUS são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e considerados seguros e eficazes para a população.

O Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, instituído em dezembro de 2008, tem como objetivo inserir, com segurança, eficácia e qualidade, plantas medicinais, fitoterápicos e serviços relacionados à Fitoterapia no SUS. O programa busca também promover e reconhecer as práticas populares e tradicionais de uso de plantas medicinais e remédios caseiros.

Fonte: O Globo

Marcelo Guerra

Marcelo Guerra, médico

Sou Médico, comecei a carreira como Psicanalista e depois enveredei pela Homeopatia, que permitiu um entendimento integral do ser humano, como corpo e mente juntos, e não como um ser formado de duas partes que estão sempre em luta. Através da Homeopatia, cheguei à Antroposofia, na qual a Terapia Biográfica é baseada, e aí encontrei respostas para a questão do sentido na vida do ser humano. Outras fontes que estudo para a compreensão do sentido são os textos de Viktor Frankl, Carl Gustav Jung, Leonardo Boff e Joseph Campbell, autores que trouxeram uma nova luz para a Psicoterapia. Endereços de Atendimento: Homeopatia, Acupuntura e Terapia Biográfica Praça Baltazar da Silveira, 20/ sala 104 (Clínica de Tratamento Natural) Centro – Teresópolis – RJ Tel: (21)2742-5940 Homeopatia e Acupuntura Praça Marcílio Dias, 56, Paissandu – Nova Friburgo – RJ Tel: (22)2523-9342 Terapia Biográfica Rua Ernesto Brasílio, 14, sala 408 – Centro – Nova Friburgo – RJ Tel: (22)8112-4983

Feira do Advento

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Deu na Voz da Serra, jornal friburguense, na coluna de David Massena:

FEIRA I
A colônia alemã realiza a sua Feira de Advento.
Apresentando artesanato e culinária natalina, como manda a tradição na Alemanha.
O evento vai acontecer na Praça das Colônias e ganha a adesão de outras etnias.
E isso, certamente, tornará o evento ainda mais interessante.

FEIRA II
A Feira do Advento vai acontecer neste domingo, 2, das 9h às 18 horas.
E, além das delícias gastronômicas e o artesanato, vai propor debates e palestras como o uso da homeopatia com Marcelo Guerra.
Também haverá a apresentação do Grupo de Danças Típicas Alemãs Senfkorn; do Coral da Escola Municipal Galdinópolis; danças folclóricas portuguesas e oficina de fitoterapia.

Efeitos adversos dos fitoterápicos quando combinados com alopatia

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>> Daí a necessidade de consultar um médico para prescrever os fitoterápicos.

Maria Vianna, especial para O Globo Online

RIO – Chá verde para emagrecer, cápsulas de equinácea para resfriados, comprimidos de vitamina A para melhorar a visão, tintura de camomila para ter um sono tranqüilo… Atire a primeira pedra quem nunca se animou com as promessas dos suplementos naturais e dos complexos vitamínicos. Bem dosados, eles podem trazer benefícios para a saúde, atuando como coadjuvantes no tratamento de doenças leves. Em grandes quantidades, no entanto, os suplementos naturais podem ser verdadeiras bombas para o organismo, principalmente quando combinados com certos alimentos ou medicamentos.

O ideal é procurar orientação de um especialista antes de ser seduzido pelas promessas dos frascos nas prateleiras. É o que afirma a médica Jaqueline Renault, especialista em terapia ortomolecular, que lembra que só porque os suplementos são naturais não quer dizer que não tenham contra-indicações. – Alguns não podem ser tomados por longos períodos, outros são totalmente contra-indicados para gestantes e mulheres que estão amamentando. Até as vitaminas, que parecem inofensivas, podem causar hipervitaminose, intoxicação, náuseas e vômitos – explica Jaqueline. Tinturas, cápsulas, pós e até chás totalmente naturais podem sobrecarregar o fígado, órgão responsável por metabolizar todas as substâncias que entram no corpo pela boca. Para a médica, um dos equívocos mais comuns é das pessoas errarem no próprio diagnóstico e tomarem suplementos que nada têm a ver com seus sintomas, às vezes até piorando o quadro inicial. Além disso, muitos suplementos naturais interferem com medicamentos sintéticos, fazendo com que eles percam a eficácia ou se tornem mais tóxicos. É o caso da erva de São João, que anula os efeitos dos anticoncepcionais orais e altera a ação dos antidepressivos, e do ginseng e da equinácea, que podem interferir na coagulação do sangue. – Cada individuo é único em suas necessidades. O suplemento pode ajudar ou atrapalhar, mas só quem pode definir isso é um especialista, que vai indicar a fórmula e a dosagem corretas – avalia Jaqueline Renault. Confira algumas combinações explosivas: – Erva de São João e anticoncepcionais – A erva diminui a capacidade do corpo de absorver os hormônios sintéticos e aumenta o risco da gravidez. – Equinácea e remédios para artrite – Extrato vegetal muito usado em casos de gripe, a equinácea, em conjunto com remédios para artrite, aumenta o risco de inflamações no fígado. – Cápsulas de alho e aspirina – Podem aumentar sangramentos e dificultar a cicatrização. – Ginko biloba e procedimentos cirúrgicos – A substância natural usada para dar mais energia também interfere na capacidade de coagulação do sangue. – Fucus e remédios para tireóide – O suplemento à base de algas marinhas também atua na tireóide. Combinado com a medicação, pode desequilibrar ainda mais a glândula e, em casos extremos, leva-la à exaustão. – Ácido Linoleico Conjugado (CLA) e alimentos ricos em gordura – Usado por atletas para aumentar a massa muscular e diminuir a gordura corporal, o CLA pode causar enjôos, dores no estômago, dor de cabeça e acne. – Todos os suplementos naturais e/ou complexos vitamínicos e cirurgias – Os suplementos naturais podem interferir na absorção dos anestésicos, além de alterar os processos de coagulação e cicatrização. Não deixe de avisar um médico se você toma suplementos e vai ser operado.

Medicina é Arte

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No dia 30/10/2007 foi divulgada a notícia de que cientistas britânicos estão estudando a composição química dos fitoterápicos (remédios à base de plantas) chineses. A notícia foi saudada como uma grande revelação, como um aval para a sua utilização.

Ora, uma terapêutica em uso há mais de 2.000 anos, com sucesso no tratamento de bilhões de pessoas de precisa do aval de quem, cara pálida?

A mídia tende a confundir ciência com medicina. Isto é um engano! A medicina é uma arte e, como tal, vale-se de conhecimentos científicos,diferentes técnicas e conhecimentos acumulados pela prática de grandes médicos através da história e transmitidos de geração para geração.

O ser humano é por demais complexo para enquadrar-se ao saber científico sistematizado que, na história da humanidade, ainda engatinha. Muito do que se afirma científico hoje é baseado em hipóteses, que são apresentadas ao público leigo como verdades científicas. Daí a constante mudança de posições da ciência, pois as hipóteses, uma vez testadas em milhões de pacientes, muitas vezes mostram-se inúteis ou perigosas (lembra-so do Vioxx?).

A busca aumentada por medicinas alternativas na atualidade é também fruto da pretensa “cientificidade” da medicina alopática. O uso de tecnologias cada vez mais sofisticadas e o tratamento impessoal que os médicos alopatas dispensam aos seus pacientes, geraram o desejo de uma atmosfera mais humana e compreensiva por parte dos médicos. E este desejo encontrou ressonância nas medicinas alternativas, como homeopatia, acupuntura, terapia floral, etc.

Um problema sério entre as medicinas alternativas é o despreparo de muitos profissionais, que acreditam poder resolver tudo com sua intuição. Várias modalidades exigem formação adequada, e você precisa certificar-se de que o profissional que você pretende consultar é habilitado por uma instituição qualificada.

Portanto, lembre-se: a MEDICINA é ARTE, mas o artista tem que estar realmente preparado!

Homeopatia e Fibromialgia

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A Homeopatia é uma das modalidades de tratamento mais eficazes no tratamento da Fibromialgia, e seu efeito é muito aumentado quando associada à Acupuntura. Na maioria dos casos de Fibromialgia há uma história de traumas e sofrimentos emocionais persistentes, e muitos autores consideram esta doença uma parte de uma doença maior, a Depressão. Assim, a Homeopatia agiria exatamente sobre a causa, que é a Depressão, reduzindo os sintomas e melhorando o humor, trazendo bem estar para o paciente. A Fitoterapia, tratamento com plantas medicinais, também tem mostrado eficácia, tendo algumas plantas atingido grande sucesso, como a erva-baleeira, embora precisem de mais estudos para comprovar sua eficácia.

A Medicina Abraça a Fitoterapia…

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Já se fala hoje em medicina/" title="View all posts filed under fitomedicina">fitomedicina, uma tendência para resgatar o conhecimento das plantas, herdado de nossas avós, e validá-lo com o olhar da ciência.
Texto: Kátia Stringueto
Ilustração: Luiza Ruberti
Vai chegar um tempo em que, na consulta, iremos discutir com tranqüilidade com o médico sobre a possibilidade de tomar ginseng e gingko biloba ou chá de espinheira-santa para atenuar diferentes males. E talvez saiamos do encontro com uma pomada de unha-de-gato com a mesma sensação de segurança de quando um medicamento alopático é prescrito para as inflamações tópicas. Pois observa-se um olhar mais respeitoso para a fitoterapia.
Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, terá início em agosto a segunda turma de médicos com o propósito de estudar as virtudes das plantas. É uma parceria com a Sociedade Brasileira de Fitomedicina (Sobrafito). A primeira turma aconteceu em 2006 e reuniu 30 especialistas – clínicos gerais, ginecologistas, homeopatas, otorrinolaringologistas, cardiologistas, pediatras, pneumologistas e neurologistas. Todos convencidos de que essa é uma opção de tratamento que precisa ser resgatada e integrada ao que já fazem.
Por que agora? O clínico geral João Bosco, professor adjunto da Faculdade de Medicina de Rio Preto, enumera três motivos: “As pessoas estão mais preocupadas com uma vida saudável e isso inclui a escolha por medicamentos menos agressivos. Os gastos com a produção de remédios sintéticos estão altos. E a indústria farmacêutica percebeu que comunidades como a de índios e caiçaras têm muito contato com a natureza e detêm um grande conhecimento sobre plantas”.
Custa bem menos pesquisar quando há indícios de que a substância pode funcionar. Segundo o homeopata Luiz Sérgio Passos Alves, professor da Faculdade de Medicina de Santos, “as plantas escolhidas aleatoriamente tem 0,013% de chance de se tornar um fitoterápico comercializável, e as selecionadas com base no conhecimento popular aumentam a chance para 4,8%, 380 vezes mais”.
Novo Manual
A mentalidade do médico brasileiro também está mudando, como registra o otorrinolaringologista Marcos Roberto Nogueira, de São Paulo. Ele integrou o primeiro curso de pós-graduação em medicina/" title="View all posts filed under fitomedicina">fitomedicina Unifesp e está envolvido em um projeto que pretende aprontar, até o início de 2008, um manual de prescrição de fotomedicamentos. O livro terá a chancela da sidade e fornecerá informações sobre cerca de 80 plantas – além do princípio ativo, constarão o nome do remédio fitoterápico, a dose recomendada, os prováveis efeitos colaterais e os estudos clínicos comprovando a ação terapêutica. Será a garantia de que os especialistas precisam. Uma pesquisa recente perguntou aos médicos se eles prescreveriam fitomedicamentos e 80% deles responderam que sim desde que tivessem garantias.
Talvez essa seja a maior diferença entre a fitoterapia, como a conhecemos, e a medicina/" title="View all posts filed under fitomedicina">fitomedicina, como os médicos preferem chamar: o conhecimento empírico e o científico. Para substituir um remédio eficaz por um fitoterápico, é preciso a certeza de que esse último funciona.
O lançamento de uma pomada à base de erva-baleeira ilustra a situação. “É um antiinflamatório mais eficaz que seu similar sintético e, em pouco tempo, se tornou um líder de vendas”, informa Nogueira.
Para o consumidor, a questão ganha relevância quanto mais séria é a doença. “Se você tem má digestão, não importa se vai usar uma xícara ou meia de chá de camomila. Agora, se o problema for úlcera e o médico receitar espinheira-santa, precisará ter a segurança sobre uma dose eficaz”, diz Bosco. E compara: “Imagine um antibiótico fitoterápico. A dosagem deve ser obedecida com o mesmo rigor das substâncias alopáticas”.
Diálogo Aberto
O fitomedicamento pode ser mais barato, acessível e apresentar menos efeitos colaterais. Os estudos pretendem ainda afinar outra história: “A pessoa continuará a tomar seu chá, mas de forma mais respaldada”, acredita Nogueira.
A fitoterapia moderna tenta recuperar o diálogo entre paciente e médico, incorporar saberes de cada cultura e disseminar o conhecimento adquirido para outras regiões.
Bosco continua: “Investir na fitoterapia significa ainda ajudar o desenvolvimento da biodiversidade de diversos países – pobres, inclusive. É uma possibilidade de renda poder exportar esse know-how, em vez de importar”. Em síntese, o que os especialistas demonstram é que não existe uma fitoterapia – existem várias. A fitoterapia de autocuidado (a chamada de “atenção primária”, como acontece nos programas de saúde municipais e estaduais) e a fitoterapia de ponta, que pode se tornar um grande produto brasileiro de exportação. É quando todos gan ham.
Experiência bem-sucedida
Há cerca de dez anos, o médico Luiz Sérgio Passos Alves, de Santos, foi convidado para ser voluntário no abrigo Vovó Benedita, uma instituição que reúne crianças para a adoção. Num sobrado de 6 x 25 m, vivem 56 crianças e adolescentes pesando entre 1,5 e 70 kg.
“Por falta de espaço, cada berço comporta três bebês na vertical e o resto é quadriliche. Imagine como uma doença se dissemina nesse meio”, diz. Homeopatas, ele e a mulher ficaram incumbidos de reduzir o número de internações, o uso indiscriminado de antibióticos e o custo com medicamento. “Achamos que só a homeopatia não daria conta e começamos a estudar fito”, diz. “Com a ajuda de Deus, da homeopatia, muita fitoterapia (xaropes à base de guaco, chá de cebola para o ouvido, chá-mate ou verde para reverter a diarréia) e uma enorme consciência solidária, o abrigo se tornou uma referência em saúde pelos baixos índices de internação (duas ao ano) e pelo uso coerente de medicamentos.”
No momento, os médicos concluem uma parceria com a Universidade Santa Cecília, que produzirá gratuitamente os medicamentos utilizados no abrigo – pomada de calêndula para ferimentos, de camomila para assaduras e outros.
Junho de 2007

Erva brasileira tem eficácia contra hipertensão comprovada em laboratório

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Uma planta brasileira, usada popularmente contra várias doenças e como ingrediente de refrigerantes (Mineirinho e Mate Couro), pode ser eficaz contra hipertensão. Cientistas do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) descobriram que o extrato do chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) é vasodilatador.
A pesquisa de etnofarmacologia (ciência que estuda o uso popular de plantas) começou há quatro anos e mostrou a ação farmacológica da planta, típica de lugares pantanosos e comum nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na primeira fase, foi confirmado in vitro o efeito vasodilatador do extrato bruto da erva em artérias de coelhos. Essa comprovação levou os pesquisadores a analisar o poder vasodilatador da chapéu-de-couro no tratamento crônico de ratos hipertensos. Os cientistas constataram um efeito semelhante ao de medicamentos indicados contra a doença.
- O extrato teve ação anti-hipertensiva em animais, em laboratório. Usamos o extrato bruto, sem purificação. O próximo passo é fazer a avaliação toxicológica da chapéu-de-couro. Mas isso depende de novas pesquisas, que exigem investimento – diz o médico e farmacologista Eduardo Tibiriçá, chefe do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do IOC.

Plantas Medicinais

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Plantas Medicinais

(Moacyr Pezati Rigueiro)

 

Plantas medicinais são aquelas que podem ser usadas no tratamento ou na prevenção de doenças. Toda planta medicinal tem no mínimo um princípio ativo, que é a substância responsável pelo efeito curativo. É interessante notar que para o efeito medicinal existir, deve estar presente o princípio ativo, mas é também muito importante o que se chama de fitocomplexo. Fitocomplexo é o conjunto de todas as substâncias presentes na planta (vitaminas, sais minerais, resinas etc.), e que agem juntamente com o princípio ativo, melhorando o efeito. A explicação para essa melhora do efeito é que as demais substâncias podem facilitar a absorção e o aproveitamento do princípio ativo pelo organismo.

Por isso, no tratamento com plantas medicinais tudo deve ser feito para preservar ao máximo o fitocomplexo. Assim, algumas plantas não podem ser fervidas, outras só podem ser colhidas em algumas épocas do ano, de outras só se usam as flores e assim por diante, sempre de maneira a não se perder o fitocomplexo ou de aproveitá-lo da melhor forma possível.

É curioso saber que a palavra droga (sinônimo de remédio ou medicamento) quer dizer “erva seca” e daí o nome de drogaria; na verdade, muitos dos remédios tradicionais (alopáticos) são retirados de plantas.

Apesar do homem usar plantas medicinais desde milhares de anos antes de Cristo e muitas delas serem conhecidas no mundo todo, ainda há uma enorme quantidade de plantas sobre as quais a Medicina sabe muito pouco ou mesmo nada conhece; algumas são usadas por índios e camponeses e, futuramente, talvez o tratamento para muitas doenças hoje incuráveis venha dessas plantas.

Mas… as plantas podem realmente curar doenças?

Nenhum médico duvida que sim. Pois, apesar de todo o progresso da medicina, atualmente ainda uma série de medicamentos muito importantes são extraídos ou derivados de substâncias retiradas de plantas. Os exemplos são numerosos: a morfina, um dos mais poderosos remédios contra a dor, é extraída da papoula (Papaver somniferum; a atropina, muito usada contra cólicas, é retirada da beladona (Atropa

belladonna); a digitalina, que é um tônico para o coração, é encontrada na dedaleira (Digitalis purpurea); a aspirina, um derivado do ácido saliclico encontrado no salgueiro ou chorão (Salix babylonica). Até mesmo a penicilina, um dos antibióticos mais usados,

é produzida naturalmente por fungos do gênero penicillium; os fungos são primos dos vegetais como as plantas mais conhecidas e são representados pelos cogumelos, pelos vários tipos de mofos ou bolores e pelos levedos (fermentos) do pão e da cerveja, por exemplo. Alguns fungos podem causar doenças nas plantas, nos animais e no homem.

Qual é então a diferença entre o tratamento tradicional da Medicina (alopatia) e o tratamento com plantas?

A diferença é que a Medicina Alopática, depois de descobrir o princípio ativo de uma planta, extrai e purifica esse princípio ou até mesmo consegue passar a produzi-lo em laboratórios com técnicas cada vez mais sofisticadas, de modo que dispõe da droga pura, sabendo exatamente, por exemplo, quantos gramas do princípio ativo existem num comprimido ou numa medida de xarope. Estudando então esse princípio ativo em

laboratórios, em milhares de testes com animais, pode saber muito bem qual a dose ideal para o efeito desejado, se a droga tem alguma contra-indicação (que perigos pode apresentar), quais são os efeitos colaterais e mesmo qual a dose letal ou seja, a dose que pode causar a morte por envenenamento.

Com as plantas é mais difícil saber exatamente esses detalhes todos, pois ocorrem variações no teor do princípio ativo de acordo com a quantidade de sol, de água e de cuidados que a planta recebe. É comum no mesmo pomar, por exemplo, uma laranjeira dar laranjas maiores e mais doces que outra distante dela apenas alguns metros. Mas ser diferente não significa ser pior ou melhor…

Saúde Alternativa É Direito de Todos

O Ministério da Saúde, instituiu em 2003 um grupo de trabalho para estudar a implantação no SUS de práticas integrativas e complementares, traduzindo, medicina “alternativa”. Este grupo elaborou propostas que se tornaram leis (Portarias Ministeriais nº 971 em 3 de maio de 2006 e nº 1600 em 17 de julho de 2006). Estas práticas que fazem parte da chamada PNPIC (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS) são: HOMEOPATIA, MEDICINA TRADICIONAL CHINESA – ACUPUNTURA, MEDICINA ANTROPOSÓFICA, PLANTAS MEDICINAIS – FITOTERAPIA e CRENOTERAPIA – TERMALISMO (tratamento com águas medicinais).

Ótima notícia, não é?

A má notícia é que nas Portarias Ministeriais citadas não há referência a fontes de recursos (o dinheiro para pagar os profissionais) nem critérios para tirar do papel e tornar realidade. Ou seja, falta a Regulamentação da PNPIC.

Por isto, precisamos nos unir para defender a medicina “alternativa”, e um passo fácil e ao alcance de todos é assinar um abaixo-assinado que circula na internet no endereço http://www.semelhante.org.br/10_abaixoassinado_02_formulario_01_form.asp e encontra-se disponível em diversas farmácias homeopáticas, pedindo a Regulamentação Já. Participe, fale com seus familiares e amigos, divulgue o máximo possível. Vamos democratizar a saúde alternativa!

Melancia

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Propriedades Nutricionais: Além de doce e muito refrescante, a melancia é
muito nutritiva. Possui hidratos de carbono (açúcar), betacaroteno
(provitamina A) e vitaminas do complexo B e C. Também apresenta cálcio,
fósforo, ferro e muita água. Hoje já se conhece o licopeno e glutationa,
compostos que a melancia possui em abundância, que são responsáveis por
proteger o organismo contra o câncer e a oxidação celular.
Valor Calórico: 100 gramas de melancia fornecem 31 calorias.
Propriedades Medicinais: É recomendada para quem tem pressão alta,
reumatismo ou gota. O suco de melancia provoca eliminação de ácido úrico, além de
limpar o estômago e o intestino. Também é eficaz no tratamento da acidez estomacal,
obesidade, bronquites crônicas, problemas de boca e garganta, cistites. Além disso, protege
contra o câncer e a oxidação celular.

O chá das sementes de melancia é vasodilatador, prestando contribuição destacada no combate à impotência sexual e hipertensão arterial.

Chá das sementes (2 colheres de sopa para 1/2 litro de água).

Em 2004 foi lançado um ótimo livro dirigido ao público leigo mostrando a importância das frutas para a saúde. Nele, há indicações fáceis de frutas para pequenos problemas de saúde. Eis a resenha do livro: O autor mostra que, além do valor nutritivo, as frutas possuem também propriedades medicinais; vitaminas, minerais, fitonutrientes e elementos fitoquímicos que combatem de forma eficaz, muitos tipos de doenças. Baseado em estudos sobre a composição química das frutas, ele reuniu elementos necessários para que as frutas sejam consideradas como um composto indispensável para a saúde. O livro se chama Frutas: Caminho Para a Saúde 254663.jpge pode ser encontrado no Submarino. Do mesmo autor, há um outro livro chamado 50 Sucos Medicinais Campeões de Saúde.226045_4.jpg