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Recomendações da OMS sobre a gripe suína

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GENEBRA – A maior parte dos pacientes contaminados com o H1N1 não precisa ser tratada com a terapia antiviral para se recuperar, mas continua sendo importante que seja desenvolvida uma vacina contra o vírus, pois há um risco de que ele venha a apresentar resistência ao medicamento, disse um especialista da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta terça-feira, 12.

Nikki Shindo, autoridade médica no programa global contra a gripe da OMS, disse que a agência da ONU publicará em breve um novo guia sobre como tratar pacientes que tenham o vírus, que já causou muitos sintomas suaves fora do México.

Dado que a maior parte dos pacientes podem se recuperar com descanso e hidratação, Shindo disse que não parece ser necessário tratar todas as pessoas infectadas com Tamiflu, Relenza ou antivirais semelhantes.

Pode ser mais prudente guardar o medicamento para mulheres grávidas e pacientes que já estejam com a saúde debilitada (como nos casos de pessoas que apresentem doenças cardiovasculares ou diabete), disse.

“Nós vamos recomendar que se considere o uso de antivirais para grupos de alto risco”, disse Shindo, enquanto concordou que possa ser devido ao uso dos remédios que o ritmo de contaminação caiu na Europa e no resto do mundo, tendo em vista que ainda se conhece muito pouco sobre a doença. No entanto, comparações entre regiões podem ser difíceis devido à falta de estudos comparativos.

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Autoridades de saúde disseram nesta terça-feira, 12, que, apesar do crescente número de mortes devido à gripe suína, o pior do surto da doença já passou. Além disso, cientistas afirmaram que os números oficiais representam apenas uma fração das centenas de milhares de pessoas que adoeceram pelo mundo.

O ministro de Saúde mexicano, José Angel Córdova, afirmou nesta terça-feira que o número de mortos no país pela influenza A (H1N1) subiu para 58. No dia anterior, o governo do México registrava 56 mortes. Córdova disse, em entrevista coletiva, que já foram confirmados 2.282 casos da doença. Mais de 8 mil testes para detecção do vírus no país foram realizados.

O ministro garantiu que a doença continua a perder força, desde seu pico em 26 de abril. Córdova disse que o índice de mortalidade do vírus está caindo, conforme mais casos são confirmados. O índice, que estava em 2,7% na segunda-feira, caiu para 2,5% nesta terça-feira.

Córdova disse que a morte mais recente ocorreu no dia 7 e que 93% das vítimas do vírus começaram a apresentar os sintomas antes de 23 de abril. Nessa data, o governo recebeu a confirmação da presença no país de uma nova variedade de influenza.

Segundo Córdova, 92% das pessoas que foram infectadas ou morreram no México apresentavam sintomas “antes que soubéssemos que estávamos lutando contra um novo germe”, e que se soubesse como tratá-lo corretamente, acrescentou.
Fonte: O ESTADO DE SÃO PAULO – SP

Ingrediente industrial comum pode proteger contra Aids

REUTERS

WASHINGTON – Um ingrediente barato, usado em sorvetes e cosméticos e presente no leite materno, ajuda a proteger macacas contra a infecção por um vírus similar ao da Aids, e pode funcionar para proteger mulheres contra a doença, disseram pesquisadores na quarta-feira. O monolaurato de glicerol (GML) parece conter inflamações e afastar as células que o vírus da Aids costuma atacar, segundo os pesquisadores. Embora não represente 100 por cento de proteção, pode reduzir muito o risco de contaminação entre mulheres. O produto poderia ser usado discretamente e sem reduzir as chances de gravidez, ao custo de poucos centavos por aplicação, de acordo com o artigo publicado na revista Nature por Ashley Haase e Pat Schlievert, da Universidade de Minnesota. – Há anos as pessoas usam o composto como agente emulsificador em uma variedade de alimentos. Ele está no leite materno – disse Schlievert a jornalistas por telefone. O GML está sendo considerado como um aditivo em absorventes porque interfere nas bactérias, particularmente aquelas que podem provocar uma infecção potencialmente fatal, chamada síndrome do choque tóxico. Se for demonstrado que ele funciona com segurança em mulheres, o GML pode ser o primeiro caminho fácil para um microbicida – um gel ou creme que as mulheres pudessem usar na vagina para se proteger contra a transmissão do vírus HIV. O vírus contamina 33 milhões de pessoas no mundo, principalmente na África, e já matou 25 milhões. As principais formas de transmissão são pelo contato sexual, pelo sangue e pelo leite materno. Especialistas dizem que as mulheres casadas estão particularmente vulneráveis porque muitas vezes seus maridos adúlteros se recusam a usar preservativos, ou o casal está tentando ter filhos. Por isso, novas formas de prevenção precisam ser seguras e íntimas. Um microbicida também pode ajudar a proteger homens em relações homossexuais. A equipe de Haase e Schlievert aplicou o GML, misturado ao gel KY, em vaginas de macacas submetidas ao vírus SIV, versão símia do HIV. Quatro de cinco macacas não foram contaminadas, e os exames mostram que o GML afetou a reação imunológica. O HIV é especialmente difícil de combater porque afeta todas as células do sistema imunológico, a defesa do organismo contra um vírus. Quando o HIV infecta uma área como a vagina, as células CD4-T correm em defesa. O corpo dispara sinais químicos chamados citoquinas para trazer mais células T. O HIV pode então contaminar todas elas e se espalhar. O GML parece impedir a citoquina de pedir ajuda e impede que tantas células-T cheguem à área, disseram Haase e Schlievert. Isso por sua vez reduz a chance de o HIV se instalar.

Fumaça dos incensos aumenta o risco de câncer do trato respiratório

Autora: Roxanne Nelson
Publicado em 29/08/2008

De acordo com um estudo publicado on line na revista Cancer, a exposição prolongada à fumaça de incensos está associada a um risco maior de desenvolvimento de carcinoma de células escamosas do trato respiratório. Essa associação pareceu ser dependente da dose, e os maiores riscos foram verificados entre os indivíduos expostos por mais tempo.

De acordo com o Dr. Jeppe T. Friborg, do Statens Serum Institut de Copenhaguen, Dinamarca, e seus colaboradores, este foi o primeiro estudo prospectivo desenvolvido para determinar a associação entre os incensos e o risco de câncer. “Os resultados indicam haver uma relação entre a exposição por um longo período de tempo e os carcinomas de células escamosas do trato respiratório”.

Quando comparados com os indivíduos que não faziam uso de incensos, aqueles que eram expostos diariamente e por mais de 40 anos apresentavam um risco 70% maior de apresentar doença maligna do trato respiratório.

A queima de incenso é muito comum em muitas partes da Ásia e da Índia, sendo utilizado em templos como parte de muitos rituais e cerimônias religiosas. Além disso, é um hábito que faz parte do cotidiano no sudeste asiático: aproximadamente metade da população desta região queima incenso diariamente. A exposição habitual à fumaça de incensos não se limita apenas às populações da Ásia, e cada vez mais vem ocorrendo nos Estados Unidos e em outras nações ocidentais.

O incenso utilizado nos países asiáticos geralmente consiste em uma combinação entre plantas aromáticas (como sândalo e jasmim) e óleos essenciais. Isso gera uma mistura combustível que, quando queimada, exala uma fumaça com aroma, além de ser um grande produtor de partículas atmosféricas. Um grande número de fatores carcinogênicos pode ser liberado na fumaça do incenso, como os hidrocarbonetos aromáticos, carbonilos e benzeno.

Os pesquisadores observaram que estudos anteriores haviam investigado a associação entre câncer de pulmão e a exposição ao incenso, mas os resultados foram pouco consistentes. Outros trabalhos haviam relatado uma relação entre a fumaça do incenso e alguns tumores, como a leucemia na infância e tumores cerebrais.

O Dr. Friborg e seus colaboradores examinaram a relação entre o uso de incenso e o risco de surgimento de carcinomas do trato respiratório através deste estudo prospectivo de coorte. Entre 1993 e 1998, um total de 61.320 homens e mulheres chineses foram selecionados em Cingapura e acompanhados até o final do ano de 2005.

A idade variou entre 45 e 74 anos e todos os participantes não apresentavam câncer no início do estudo. Uma entrevista abrangente sobre as condições de vida, hábitos alimentares e fatores relacionados com o estilo de vida foi realizada no início do estudo e a coorte foi comparada com dados de base populacional. O modelo de riscos proporcionais de Cox foi utilizado para estimar o risco relativo das neoplasias relacionadas com o uso de incenso.

Ao término do período estudado, foram diagnosticados 1.146 casos de câncer do trato respiratório entre os indivíduos que faziam parte da coorte: 10 de cavidade nasal/paranasal, 20 de língua, 29 de boca, 12 de orofaringe, 14 da hipofaringe, 1 faríngeo não especificado, 175 de nasofaringe, 64 de laringe e 821 de pulmão. As neoplasias de nasofaringe eram carcinomas primários indiferenciados (89%), enquanto os demais do trato respiratório superior, que não acometiam a nasofaringe, eram predominantemente de células escamosas (88%).

Entre as neoplasias de pulmão, os adenocarcinomas eram mais freqüentes (42% dos casos) do que os carcinomas de células escamosas (24% dos pacientes).

Cerca de ¾ da coorte queimou incenso durante o período estudado (77,5% dos homens e 76,5% das mulheres). Entre esses usuários regulares, 92,7% o faziam diariamente e 83,9% vinham fazendo uso há mais de 40 anos.

Os pesquisadores verificaram que a queima de incenso não esteve associada a um aumento do risco de câncer de pulmão, nem dos que acometem a nasofaringe. Entretanto, a exposição a essa fumaça esteve associada a um risco maior de carcinoma em outros sítios do trato respiratório (que não a nasofaringe), sendo essa relação aparentemente dependente da dose. Comparado com aqueles que não o utilizam, os indivíduos que queimam incenso por mais de 40 anos têm um risco aumentado em 70% de câncer do trato respiratório superior fora da nasofaringe. Essa diferença foi estatisticamente significativa.

A intensidade do uso também aumentou o risco de câncer. Ele era maior do que o dobro quando o uso do incenso era diário ou contínuo ao longo do dia.

De acordo com os pesquisadores, os resultados deste trabalho estão em concordância com vários outros estudos que identificaram agentes carcinogênicos na fumaça do incenso. Os pesquisadores enfatizaram que “este estudo traz importantes conseqüências para a saúde pública devido à exposição disseminada e, muitas vezes involuntária, à fumaça de incensos. Além de iniciativas para reduzir a exposição à fumaça do incenso, os próximos estudos deverão identificar os tipos de incenso menos danosos”.

O estudo foi financiado com doações do National Cancer Institute.

Cancer.
Informação sobre a autora: Roxanne Nelson é jornalista da equipe do Medscape Hematology-Oncology. Declaração de conflito de interesses: A autora declara não possuir conflito de interesses

Doença do beijo na boca

DÉBORA YURI
colaboração para a Folha de S.Paulo

“Não sei se eu vou beijar menos meninas agora, porque você só pega essa doença uma vez na vida, mas ela é muito ruim, horrível”, diz Alexandre Turoni Zaparoli, 14, que saiu do consultório médico com o seguinte diagnóstico: “doença do beijo”.

Trata-se do nome popular da mononucleose infecciosa, doença transmitida pelo vírus Epstein-Barr, que afeta principalmente adolescentes e adultos de até 30 anos. “Ela ocorre mais nessas faixas etárias porque, depois, quem tinha de pegá-la já pegou. É difícil passar por todas essas fases sem ter contato nenhum com o vírus”, explica o infectologista Claudio Sergio Pannuti, professor da Faculdade de Medicina da USP.

A mononucleose ganhou a alcunha de “doença do beijo” décadas atrás, quando uma epidemia tomou conta de uma universidade norte-americana após um piquenique –muitos alunos ficaram, e o vírus se espalhou pelo campus.

“A transmissão se dá pela saliva, principalmente pela troca durante um beijo na boca. Muitos não manifestam os sintomas nunca, mas o vírus fica no organismo. A pessoa sara, mas continua excretando o vírus”, continua Pannuti. “A boca sempre tem os seus vírus. É preciso ver o custo-benefício de cada uma”, brinca ele.

Alexandre Zaparoli ficou dez dias afastado do colégio, com febre de quase 39 graus. “Beijei umas três meninas, teve a viagem de formatura. Eu não sabia que existia a doença do beijo. Sinto muita dor de cabeça e em cima dos olhos”, diz.

Além das dores, a mononucleose tem sintomas como febre, dor de garganta, mal-estar e fadiga –o que gera muitos diagnósticos equivocados. Muita gente nem chega a saber que teve a doença do beijo.

“É fácil confundir com amigdalite, por exemplo, mas, se o médico tem a hipótese na cabeça, pede exames que comprovam a mononucleose. A fase aguda dura uma ou duas semanas”, diz Regina Succi, professora de pediatria e doenças infecciosas da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

“Você andou beijando?”

Um exame de sangue detecta aumento dos linfócitos, um tipo de célula, que ficam alterados. Outra pista, além da pergunta “Você andou beijando na boca?”, é o inchaço de gânglios.

O contágio costuma acontecer na fase inicial da doença, enquanto o vírus está incubado. Esse período de incubação dura, em média, duas semanas. Respirar no mesmo ambiente fechado e colocar a mão na boca e, depois, em algum objeto são outras formas de transmitir o vírus, da família do herpes.

Entre um grupo especial de pacientes, os imunodeprimidos –transplantados ou HIV positivos, por exemplo–, a mononucleose pode evoluir para tumores malignos –há vacinas sendo testadas. A maioria dos infectados, entretanto, apenas fica de cama por alguns dias, tentando descobrir com quem trocou o tal do “beijo fatal”.

Acupuntura é eficaz no alívio da dor e da fadiga em pessoas com câncer

Maria Vianna – O Globo Online*

CHICAGO – Sessões regulares de acupuntura durante o tratamento contra o câncer ajudam a aliviar sintomas como a dor, a fadiga e a boca seca, ou xerostomia, comuns em pacientes que se submetem a quimioterapia e radioterapia. É o que afirma o oncologista David Pfister, um dos coordenadores do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York, no congresso anual da Sociedade Americana de Oncologia Clinica, em Chicago. Estudos anteriores já apontavam que a técnica oriental ajudava a controlar reações adversas como náusea e vômitos. O médico, que acompanhou um grupo de pacientes que havia feito cirurgia para a retirada de tumores e que se submeteu a quimioterapia durante três meses, chegou à conclusão de que a aplicação das agulhas em pontos específicos do corpo como os dedos indicadores, a testa e as pernas, é mais eficaz do que antiiflamatórios, analgésicos e fisioterapia na hora de aliviar a dor dos pacientes. — A qualidade de vida e o bem-estar do paciente são duas coisas difíceis de julgar, já que elas são individuais e subjetivas, mas nós, como médicos, devemos indicar todo tipo de tratamento adjuvante que possa aliviar a dor do paciente com câncer. Embora os remédios sejam indiscutivelmente úteis, eles ainda não são totalmente eficazes na hora de aliviar o desconforto do paciente durante a quimioterapia e a radioterapia, principalmente no caso da boca seca – explica Pfister. O grupo submetido a sessões de acupuntura teve uma melhora nos sintomas de dor e boca seca 39% maior do que o grupo que fez o tratamento convencional com medicamentos e sessões de fisioterapia.

Mulher internada em estado grave em SP teria contraído febre amarela vacinal

>> É a histeria coletiva… Quem não vai viajar para áreas de risco não precisa tomar a vacina.

GlobonewsTV e O Globo Online

SÃO PAULO – Uma mulher está internada em estado grave na UTI do Hospital Geral de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo, com suspeita de ter contraído a febre amarela vacinal. Marizete Borges, que trabalha como encarregada de enfermagem no hospital, está sedada e respira com ajuda de aparelhos. ( Leitores tiram dúvidas sobre a febre amarela )

Marizete tomou a vacina contra a febre amarela no último dia 17 numa únidade básica de saúde de São Mateus. Ela não ia viajar para nenhuma área de risco, mas optou por tomar a vacina. Uma amostra de sangue dela foi coletada e encaminhada ao Instituto Adolf Lutz para confirmar se ela desenvolveu mesmo a febre amarela vacinal. ( Leia Mais: Especialistas alertam para o perigo da revacinação )

Firmino Hag, diretor da UTI do hospital, explicou que ela teve uma reação forte por já se tratar de outra doença, o Lupus Eritematoso Sistémico, uma doença inflamatória que induz uma produção inadequada de anticorpos e provoca lesões de tecidos e alterações nas células sanguíneas. Além disso, ela fazia uso de medicamentos que alteram a defesa do sistema imunológico.

- A dona Marizete tinha uma doença pré-existente que altera todo o sistema imunológico do organismo. Além disso, ela fazia uso de medicações específicas que quebravam o sistema de defesa dela. E a vacinação se tornou um caráter agressivo para o organismo dela. Daí a manifestação clínica da doença – explicou.

Marizete é um dos 43 casos tratados pelo Ministério da Saúde como suspeitos de terem reações adversas à vacina. Além dela, mais 18 pessoas estão hospitalizadas, conforme boletim divulgado na tarde de terça-feira. ( Saiba como evitar a doença )

Vacina pode causar mais de 400 efeitos adversosNa segunda-feira, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já havia alertado para os perigos de reações adversas causadas pela aplicação errada da vacina. Muitos casos de pessoas internadas se devem a superdosagem. Há duas semanas, um jovem chegou a ser internado em Brasília com um quadro de hepatite por ter tomado três doses da vacina em dois dias.

- Apenas as pessoas que irão trabalhar ou vão a lazer para as Regiões Norte e Centro-Oeste, além de algumas áreas de Maranhão, Piauí, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo devem se vacinar. Essa é uma vacina muito eficaz, de vírus atenuado, que pode causar reações alérgicas. Não tem sentido as pessoas se submeterem a um medicamento se não precisam. Isso significa assumir um risco desnecessário – disse na ocasião.

A vacina é válida por 10 anos, mas pode causar reações. Levantamentos retrospectivos sobre a vacina mostram mais de 400 efeitos adversos pós-vacinal (EAPV). São listados sintomas como febre acima de 39 graus, vômito, enrijecimento dos músculos, alergia e problemas neurológicos. Segundo os especialistas, quando tomada em seu devido tempo, os efeitos adversos são mínimos.

Devem tomar a vacina as pessoas que vivem ou vão viajar para as áreas consideradas de risco. Quem tomou depois de 1999, não precisa tomar uma nova dose.

Não podem tomar a vacina mulheres grávidas, bebês com menos de seis meses de idade, alérgicos a ovo e pacientes com baixa imunidade por problemas de saúde.

No último balanço divulgado pelo Ministério da Saúde, foram confirmados 19 casos de pessoas que contraíram a febre amarela. Dez pessoas morreram e outras nove se recuperaram. Outros 19 casos suspeitos foram descartados e ainda restam seis em investigação.

Vacina contra febre amarela tem contra-indicações

A vacina contra a febre amarela não é indicada para mulheres gestantes, bebês com menos de 6 meses de vida, pessoas com alergia grave ao ovo e pessoas com o sistema imunológico comprometido. Nestes casos, as pessoas devem se proteger da doença de outras formas.

De acordo com o infectologista Evandro Baldacci, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, as dificuldades são resultado do método de fabricação da vacina. O vírus vivo da febre amarela é cultivado em ovos embrionados de galinha. “Além de provocar a reação imunológica ao vírus, a vacina pode conter resíduos de proteínas do ovo”, afirma o médico.

As reações alérgicas simples, como dificuldades digestivas e manchas na pele, no entanto, não são proibitivas. “Quando a alergia a alguma substância da vacina é comprovada, os riscos da reação e da pessoa contrair a doença são avaliados caso a caso”, afirma Baldacci.

“Se o sistema imunológico não estiver pronto para reagir ao vírus e proteger a pessoa da doença, não indicamos a vacina”, afirma Gustavo Johanson, imunologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Os fetos, os bebês com menos de 6 meses, pessoas com imunodeficiências resultante de doenças (Aids e neoplasias) ou de terapêutica (uso de corticóides, quimioterapia, radioterapia) estão nessa situação, explica o médico.

Johanson especifica que existem exames para avaliar objetivamente o sistema imunológico. “Se a contagem de linfócitos CD4 for baixa, não fazemos a vacinação”, completa.

Vacinação indevida

Segundo Johanson, os riscos de haver uma vacinação indevida são bem menores hoje em dia. “Os postos de vacinação realizam uma triagem que avalia as possíveis situações de contra-indicação”, afirma o médico.

Muitas pessoas têm procurado os postos de vacinação para se proteger contra a febre amarela. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, afirma que o país não vive uma epidemia da doença, e, portanto, a vacinação é indicada apenas para pessoas que vivem ou viajam para áreas florestais, onde vive o mosquito transmissor da doença.

O vírus da febre amarela circula nas regiões Norte e Centro Oeste, em Minas Gerais e Maranhão. Também são consideradas áreas de transição e risco potencial o oeste do Piauí, oeste de São Paulo, oeste do Paraná, oeste de Santa Catarina, sul da Bahia e sul do Espírito Santo.

Outras proteções

“A melhor forma para uma pessoa sem vacina evitar a doença é ficar longe da regiões endêmicas do mosquito”, defende Baldacci.

Quem não pode tomar a vacina deve recorrer a outros métodos de proteção, segundo os especialistas. Johanson recomenda repelente e o mínimo possível de exposição do corpo.

Para viagens internacionais que exigem a vacinação contra febre amarela, a Anvisa lembra que é necessário o CIV (Certificado Internacional de Vacinação), conhecido como guia amarela. O documento pode ser retirado em postos da agência, que também oferecem a imunização. A vacina pode ser tomada em qualquer posto e a guia, retirada com a carteira comum de vacinação.

Quem não pode tomá-la, segundo a Anvisa, deve apresentar, nos postos da agência, um atestado médico comprovando a impossibilidade da imunização. O viajante recebe, então, um certificado de isenção da vacina, que está previsto no regulamento sanitário internacional.

Desaparecimento de micróbios que habitam o corpo humano causa doenças

>> Isto é exatamente o que os homeopatas estão dizendo há duzentos anos. Não adianta acabar com as bactérias, temos que tornar o nosso corpo imune a elas. E um dado estatístico: nosso corpo abriga mais células de microrganismos do que nossas próprias células, ou seja, somos um habitat complexo que não pode ser restringido apenas pelo DNA das células. É preciso uma nova maneira de entender as doenças para que possamos ter realmente uma melhor saúde.

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Marília Martins, em O Globo

A crise ambiental da Terra não se restringe à natureza. Também no universo microscópico, dentro do corpo humano, há espécies ameaçadas de extinção por uma dramática e acelerada transformação do meio ambiente, e entre elas estão microrganismos que podem ser essenciais à vida humana. Quem faz o alerta é o pesquisador americano Martin Blaser, chefe do Departamento de Medicina da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês). Em suas pesquisas, ele revela um panorama impressionante da evolução das espécies no universo microscópico e do equilíbrio precário entre o organismo humano e os seres que nele vivem e que são essenciais à Humanidade.

- Se nós extinguíssemos todos os vírus e as bactérias hoje existentes, nós morreríamos também. A espécie humana desapareceria com eles – diz Blaser.

Defesas naturais estão em risco

O estudo de Blaser é muito maior do que um simples recenseamento dos micróbios que habitam o nosso organismo. A hipótese da equipe de pesquisadores do departamento de medicina da universidade é a de que as transformações do meio ambiente microscópico são tão poderosas que espécies inteiras de micróbios estão desaparecendo e, por incrível que pareça, essa não é uma boa notícia para os seres humanos.

Um exemplo é o da bactéria Helycobacter pylori, apontada como uma das causas de úlcera e de câncer de estômago, que se encontra atualmente em acelerado processo de extinção. Esta deveria ser uma ótima notícia para nós, seres humanos, que
temos estômago. Mas não é. Por quê?

- A presença dessa bactéria no organismo fez com que a espécie humana desenvolvesse uma série de antígenos que protegem as camadas interiores do estômago. Esses antígenos são transmitidos de uma geração para outra. Com o desaparecimento da bactéria, porém, estão sumindo também os antígenos. O resultado é que o organismo humano, para defender o estômago, agora mais desprotegido e vulnerável a ataques, tende a antecipar o processo digestivo para o órgão anterior ao estômago, o esôfago. Por isto, vemos hoje que, ao declínio dos casos de câncer de estômago, corresponde um
aumento dos pacientes de doenças do esôfago, inclusive câncer. Com um agravante: o câncer de estômago costuma aparecer em idade avançada, em pacientes acima dos 50 anos. Já as doenças graves de esôfago surgem em qualquer idade, até em crianças – frisa Blaser.

No fim das contas, a extinção de uma bactéria perigosa está levando a uma troca de doenças, que pode ser altamente desvantajosa para a espécie humana, na medida que ataca indivíduos mais jovens. Outra importante mudança no espectro dos microrganismos que hoje são mais perigosos para a espécie humana está relacionada às doenças auto-imunes, cada vez mais comuns, como o diabetes. São doenças em que a autodefesa do organismo falha e agentes externos se valem da fragilidade do sistema imunológico.

Para os pesquisadores da equipe de Blaser, as doenças auto-imunes se tornaram mais comuns por causa da crescente higienização do espaço urbano e do uso indiscriminado de antibióticos, que eliminou boa parte dos agentes infecciosos que atacavam o homem.

- A ociosidade do sistema imunológico pode ter levado à sua maior fragilidade. O resultado deste processo, outra vez, não foi a redução do número de doenças e sim a mudança do espectro de males que assombram a espécie humana – comenta Guillermo Perez-Perez, um dos pesquisadores assistentes da equipe da NYU.

Além de fazer estudos sobre bactérias relacionadas ao processo digestivo como a Helycobacter pylori e a Campylobacter, relacionada com a gastroenterite, a equipe de Blaser se dedica aos microrganismos que atacam a pele. Blaser fez um estudo famoso sobre o risco de contágio pelo Bacillus anthracis, agente da doença infecciosa, que começa na pele, conhecida pelo
nome de antraz. O bacilo foi enviado num envelope para o escritório de um político do Congresso americano, e Blaser foi mobilizado para fazer uma previsão dos riscos de contaminação. O pesquisador chegou a uma fórmula matemática para determinar a velocidade do contágio e mostrou que até cinco mil pessoas poderiam contrair a doença a partir de um único envelope. Isto levou a polícia americana a estabelecer uma série de precauções no tratamento da correspondência do Congresso.

A equipe de Blaser, que tem o ambicioso projeto de mapear as bactérias que habitam o corpo humano, fez uma experiência recente para fazer um primeiro recenseamento de microrganismos encontrados na pele humana. O resultado foi mpressionante: em amostras coletadas numa porção do antebraço de seis indivíduos sadios foram achadas 182 espécies, pertencentes a 91 gêneros e cerca de 8% eram desconhecidas dos cientistas. Alguns meses depois, foram coletadas novas amostras e novas espécies foram descobertas, que não tinham sido registradas anteriormente. Isto mostrou que na pele humana há bactérias residentes e outras que estão ali apenas de passagem.

- Estimamos que há no corpo humano algo entre 3 mil e 10 mil espécies de bactérias como residentes fixas. Em média, um bom zoológico tem entre cem e 200 espécies. Então nós já sabemos que, somente em nosso antebraço, temos a mesma quantidade de espécies bactérias que um bom zôo – diz Blaser.

O primeiro recenseamento limitou-se a indivíduos sadios, mas Blaser acredita que o número pode ser maior no caso de pessoas doentes:

- Nossa hipótese é que vamos descobrir espécies diferentes na pele de pessoas com doenças como psoríase ou eczema. Encontrar bactérias que sirvam de marcadores para determinadas doenças poderia levar à elaboração de métodos de diagnóstico e quem sabe até ao desenvolvimento de novas drogas – avalia o pesquisador.

Estudo defende estilo de vida sadio para evitar doenças cardiovasculares

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NOVA ORLEANS, EUA (AFP) – Os riscos concretos de desenvolver uma doença cardiovascular são praticamente eliminados com um estilo de vida sadio incluindo um regime rico em fibras e ácidos graxos, exercícios, um café-da-manhã regular e um peso estável, segundo estudo japonês divulgado nesta terça-feira.
Apresentado durante a Conferência anual sobre a obesidade em Nova Orleans (sul dos EUA), o estudo foi realizado com 1.909 homens japoneses num período de três anos e consistiu em observar a ocorrência da “síndrome metabólica”, uma conjunção de vários sintomas que podem levar a doenças cardiovasculares.Os sintomas são pressão arterial elevada, assim como uma taxa também elevada de triglicerídios, uma taxa baixa de bom colesterol, glicemia e obesidade abdominal. Pelo menos três desses sintomas associados constituem a “síndrome metabólica”.

O estudo do médico Hiroshi Yatsuya, da universidade de Nagoya, no Japão, mostrou que um regime e um estilo de vida sadios podem reduzir os riscos de apresentar uma síndrome metabólica de 71% a 92%.

“Se todos tivessem esse estilo de vida, 84% das síndromes metabólicas e da probabilidade de desenvolver uma doença cardiovascular poderiam ser evitados”, afirmou Hiroshi Yatsuya.

O estilo de vida que ele considera “ideal” inclui seis elementos: o regime alimentar, a maneira de comer, a atividade física três vezes por semana, o corte de álcool e de cigarros e a manutenção de um peso estável.

O regime alimentar deve ser rico em fibras, em ácidos graxos e ômega-3. Os bons costumes alimentares incluem tomar um bom café-da-manhã, nunca comer demais e evitar a comida muito salgada.

“É um estilo de vida difícil de manter, mas é totalmente possível”, comentou o cientista à AFP.

Atividade física melhora qualidade de vida em mulheres com fibromialgia

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Maria Vianna, especial para O Globo Online
RIO – Um estudo realizado na Divisão de Medicina de Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo comprovou que
uma rotina de exercícios físicos ajuda a elevar a qualidade de vida em mulheres com fibromialgia. A doença, que atinge quatro milhões de brasileiras, é caracterizada por
dores no corpo, fadiga incapacitante e distúrbios de sono.
As pacientes que participaram da pesquisa da USP tinham em média 46 anos, e durante o programa não puderam tomar nenhum tipo de medicamento. As mulheres foram
submetidas a testes periódicos de esforço cardiopulmonar, avaliação da dor pela escala analógica visual e por dolorimetria, aparelho que mede a intensidade da dor.
- Houve uma piora da dor nos três primeiros meses, mas após esse período a recuperação foi significativa, com melhora da
capacidade funcional e da qualidade de vida. Já sabíamos que o condicionamento físico é benéfico para pacientes com
fibromialgia, mas não havia um estudo que definia como deveria ser a freqüência, intensidade e duração ideal dos treinos
- destaca a cardiologista Lívia Maria dos Santos Sabbag, uma das coordenadoras do estudo.
Segundo o estudo, o ideal é praticar exercícios como caminhada, bicicleta ou natação durante uma hora, três vezes por
semana, por no mínimo seis meses. A médica sugere o acompanhamento de um fisioterapeuta ou profissional de educação
física que conheça o assunto, já que a dor pode ser difícil de suportar no início.
A fibromialgia acontece na proporção de 20 mulheres para cada homem e está associada a baixos níveis de serotonina no
organismo. A doença pode se manifestar em qualquer idade, mas é mais comum em pessoas com idades entre 40 e 60
anos. Alguns médicos acreditam que a fibromialgia predomina em mulheres com um grau elevado de ansiedade e
perfeccionismo. Tensão e estresse prolongado podem incentivar o aparecimento da doença. Embora sem cura, os sintomas
podem ser controlados com medicamentos, acupuntura, massagens, psicoterapia e mudanças no estilo de vida.

Hiperatividade ou falta de limites?

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Eu fui convidado para fazer uma palestra na escola em que minha filha mais nova estuda sobre Hiperatividade, na reunião de pais bimestral. Ontem estava organizando as idéias e achei interessante postar aqui.

Em primeiro lugar, uma classificação: existem crianças levadas, crianças hiperativas e crianças sem limites. As levadas dão a impressão de não estarem se concentrando em nada mas, quando colocadas diante de alguma atividade que lhes interesse, dedicam-se inteiramente a ela. As crianças hiperativas realmente não se concentram, mesmo quando é algo que lhes interesse muito. Elas simplesmente não conseguem se concentrar! As crianças sem limites concentram-se, mas dificilmente elas têm interesse que não seja superficial, porque geralmente elas ganham tudo que querem, mesmo que remotamente. Então o interesse salta de uma coisa para outra o tempo todo. Um exemplo é uma criança que queria e ganhava tudo relativo ao RBD (Rebelde, para quem não conhece) e agora já deixa tudo que ganhou para trás (CD, DVD, roupas, álbuns de figurinhas, revistas, álbuns de fotos, etc) porque “precisa” ter tudo do High School Musical.

Classificadas assim, vamos falar sobre a Hiperatividade. Na década de 1970 era chamada Disfunção Cerebral Mínima, porque acreditava-se que algum problema, provavelmente no parto, causava uma baixa oxigenação do cérebro, provocando a hiperatividade. Hoje o nome oficial é DDAH, Distúrbio do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Em seu aspecto biológico, está ligada ao metabolismo da dopamina, um neurotransmissor. Os neurônios onde a dopamina atua estão ligados à sensação de prazer, de saciedade, e quando desregulados nada sacia a pessoa, nada causa um prazer profundo. Isto gera uma inquietação constante, pode levar a compulsões na criança e no adulto. Estudos sugerem que este é o fator biológico envolvido nas dependências, como o alcoolismo, dependência de drogas, compulsões alimentares, compulsões sexuais, oneomania (tem um outro artigo neste blog sobre isto), etc. A deficiência de dopamina gera uma baixa capacidade de atenção e concentração. A criança não consegue fixar sua atenção por muito tempo. Isto explica o baixo desempenho escolar, principalmente em matérias em que é preciso ler muito, como história, geografia. Muitas vezes elas são ótimas em matemática, porque o raciocínio é muito rápido, mas se os problemas apresentados tiverem um enunciado a ser interpretado já dificulta. Bem, sem capacidade de fixar a atenção, tudo pode dispersar a criança, até uma mosca que passa. Ela não tem controle sobre a esfera do pensamento, que flutua muito mais rápido do que normalmente ele já o faz. Ela também não tem controle sobre os sentimentos, não conseguindo conter reações emocionais, alternando rapidamente momentos de extremo carinho, simpatia, amorosidade, com momentos de agressividade verbal e física. E também não têm controle sobre a esfera do agir, apresentando uma impulsividade e uma compulsão muito grande ao movimento, elas não conseguem ficar paradas, não conseguem fazer nada até o fim, brincam com três ou quatro brinquedos ao mesmo tempo.

Na Antroposofia falamos que o Eu (Interior) organiza e controla o Pensar, o Sentir e o Agir. Ora, a criança hiperativa não tem nenhum controel sobre estas três esferas, demonstrando que seu Eu não tem esta capacidade de integração. Ela precisa aprender a controlar estes três. E o principal meio para isto é educacional. Até a adolescência, a principal influência sobre a criança são seus pais, o modelo que eles oferecem, e é este modelo que vai influenciar sua vida adulta. Logo em seguida, vem a influência dos professores. Tanto os pais quanto os professores devem saber controlar seu pensar, seu sentir e seu agir, para servirem de modelo para as crianças. Um outro fator importante para que o Eu conquiste o comportamento é o ritmo, a criança precisa de ritmo, de uma rotina. Ter hora para comer, para dormir, para tomar banho, para ir à escola, para assistir TV, para jogar videogame, para entrar na internet. Eu vejo pais de crianças de 10 anos reclamando que o filho passa a noite inteira no computador, e fico me perguntando: onde estão os pais numa hora dessas?

Aí eu acho que entra um fator que agrava a criança hiperativa e cria a criança sem limites. Hoje em dia, ambos os pais trabalham fora geralmente, e muitas horas. Muitos pais, principalmente as mães, sentem-se muito culpadas por estarem longe do filho a maior parte do tempo e, por outro lado, chegam em casa super cansados, querendo um tempo para si, oq ue aumenta ainda mais a culpa. Assim, certas “babás eletrônicas” como o computador, a televisão e o videogame caem como uma luva. A criança se diverte sozinha e os pais podem descansar. Infelizmente estas “babás” amplificam o problema, causando uma excitação ainda maior, embora sejam as poucas coisas que conseguem atrair a atenção de uma criança hiperativa, porque as circunstâncias de um videogame, por exemplo, mudam constantemente, seguindo o ritmo de uma criança hiperativa. A culpa faz com que os pais presenteiem demais os filhos, e o excesso de brinquedos dispersa ainda mais a criança hiperativa, e cria dispersão na criança sem limites, porque ela não se envolve profundamente com nada, porque tudo é passageiro e amanhã ela já ganhará outro “melhor brinquedo do mundo”. A criança consegue perceber a culpa dos pais e pode manipulá-los até deste sentimento. Muito melhor seria brincar junto com a criança, contar histórias para ela, ouvir as histórias dela, participar da vida dela.

Aqui chegamos a um outro ponto: a imagem da criança. Até o início do século 20 não existia a palavra criança como um ser que tem suas especificidades, mas a criança era vista como uma miniatura do adulto. A sociedade ainda resiste a esta mudança de paradigma, haja visto tantos pais tentarem transformar seus filhos em miniadultos, através de roupas, certos brinquedos, hábitos. Uma outra direção é achar que a criança é um ser angelical, sem qualquer maldade. Parece que esquecemos de nossa infância e da crueldade de que as crianças são capazes. As crianças são diferentes dos adultos, mas ainda são humanas, noq ue isso tem de bom ou de ruim. E as crianças têm uma capacidade muito grande de perceber o que seus pais estão sentindo, e a culpa dos pais fica muito evidente nestas situações de não colocar limites ou de presentear excessivamente. E a criança vai usar isto a seu “favor”. Um desfavor a isto é a “psicologização” exagerada que se vê por aí. Crianças que falam de si usando termos médicos e psicológicos mostra que alguma coisa está errada no relacionamento entre ela e seus pais, que não têm mais acesso direto um ao outro, mas mediado por médicos e psicólogos. Eu conheço uma criança que, muito nova, usava sempre a expressão “Eu me sinto insegura” para justificar tudo que ela não queria participar, tudo que ela não queria fazer. As crianças sem limite só precisam de limites claros e objetivos, afinal elas também fazem parte da sociedade e precisam integrar-se a ela.

Além do modelo dos pais, a Pedagogia Curativa ajuda muito as crianças hiperativas. O tratamento medicamentoso alopático é feito principalmente com anfetaminas, como a famosa Ritalina (Metilfenidato), que atua sobre as vias de neurônios que usam dopamina. A atenção é aumentada, e a inquietação conseqüentemente diminui. Tem vários efeitos colaterais a curto e médio prazo. A Homeopatia oferece resultados muito bons nestes casos, e os remédios são muito bem tolerados pelo organismo da criança. Por basear-se na semelhança entre o que um remédio provoca numa pessoa saudável e os sintomas que uma pessoa doente apresenta, a escolha do remédio homeopático é feita através de consulta médica em que os sintomas são detalhados, formando uma imagem bem ampla e precisa do problema do paciente. Com a homeopatia, muitas crianças conseguem melhorar a integração das esferas do Pensamento, Sentimento e Ação, controlando seu comportamento e conseguindo melhora tanto no aprendizado, quanto no relacionamento com os colegas, professores, e familiares e, principalmente, reduzindo a frustração que é um sentimento muito presente nas crianças hiperativas, juntamente com a baixa auto-estima. Assim nossas crianças podem ser mais integradas e felizes!

Marcelo Guerra

Homeopatia e Fibromialgia

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A Homeopatia é uma das modalidades de tratamento mais eficazes no tratamento da Fibromialgia, e seu efeito é muito aumentado quando associada à Acupuntura. Na maioria dos casos de Fibromialgia há uma história de traumas e sofrimentos emocionais persistentes, e muitos autores consideram esta doença uma parte de uma doença maior, a Depressão. Assim, a Homeopatia agiria exatamente sobre a causa, que é a Depressão, reduzindo os sintomas e melhorando o humor, trazendo bem estar para o paciente. A Fitoterapia, tratamento com plantas medicinais, também tem mostrado eficácia, tendo algumas plantas atingido grande sucesso, como a erva-baleeira, embora precisem de mais estudos para comprovar sua eficácia.

“Tristeza não é doença”

>> Esta semana, a Revista Época publicou uma entrevista que reflete um comentário que fiz há algum tempo no blog Encanto, da Elisabete Cunha.

Sociólogo americano diz que a psiquiatria transformou um sentimento normal em um problema médico

por SUZANE FRUTUOSO

 

Ficar triste dói. o sentimento pode ser passageiro ou durar muito tempo. Mesmo nesses casos, não significa que ele só possa ser superado com remédios, diz o sociólogo americano Allan V. Horwitz. O livro que lançou nos Estados Unidos em julho, The Loss of Sadness: how Psychiatry Transformed Normal Sorrow into Depressive Disorder (A Perda da Tristeza: como a Psiquiatria Transformou a Tristeza Comum em Desordem Depressiva), em parceria com o psiquiatra Jerome Wakefield, é uma tentativa de alertar sobre o que considera um excesso de diagnósticos de depressão.

ÉPOCA – O que significa a “perda da tristeza” que dá nome ao livro?

Allan V. Horwitz – Tristeza é a resposta normal a perdas que sofremos na vida. Agora se tornou comum chamá-la de “depressão”. Algo normal foi transformado em doença. A cultura dos antidepressivos transformou em doença dificuldades que fazem parte da vida.

ÉPOCA – Segundo calcula a Organização Mundial da Saúde (OMS), 121 milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão. O que o senhor acha desse número?

Horwitz – É uma estimativa muito elevada. A OMS usa os sintomas da tristeza, que até podem ser os mesmos da depressão, sem considerar o contexto do acontecimento que deixou a pessoa triste. Incluem na mesma estatística quem sente uma tristeza normal e quem realmente é depressivo.

ÉPOCA – Que sintomas caracterizam a tristeza e a depressão?

Horwitz – Segundo o manual de diagnósticos da psiquiatria (DSM-4), se cinco sintomas de uma lista de nove durarem mais de duas semanas, os médicos dizem que há depressão. São eles: perda do humor; perda de interesse por atividades prazerosas; ganho de peso ou perda de apetite; insônia ou excesso de sono; agitação ou apatia; cansaço; sentimento de culpa e baixa auto-estima; dificuldade de concentração e de decisão; pensamentos recorrentes sobre morte ou tentativa de suicídio.

ÉPOCA – Então, qual é a diferença entre tristeza e depressão?

Horwitz –Ficamos naturalmente tristes pelas perdas do dia-a-dia, como de um relacionamento amoroso, de um emprego, de uma notícia de que seu estado de saúde não é bom. Ou quando há condições estressantes – como a pobreza – ou relações sociais em que se sofrem abusos, como os de poder. São situações ruins, mas sofrê-las não significa que algo esteja errado. É diferente da depressão, que surge sem razão específica. Não precisa ter acontecido algo terrível para surgir a depressão, que tem características biológicas. Ainda assim, a maior diferença não é o que acontece no cérebro. É o que ocorre dentro do contexto social. É dar à tristeza o ar de doença.

ÉPOCA – Depois de quanto tempo a tristeza passa a ser um quadro preocupante?

Horwitz – Não existe uma linha divisória definida. Podemos dizer que se uma tristeza dura mais de dois meses algo pode estar errado. Mas não significa que não tenha solução. O que importa é que estão tratando quem levou um fora do namorado e não consegue se concentrar, dormir ou comer direito da mesma maneira que a alguém com sintomas que persistem por longos períodos. Ficar na fossa quando um namoro acaba é a resposta natural a um estresse, e não um distúrbio mental.

ÉPOCA – A tristeza pode ser boa? O que podemos aprender com ela?

Horwitz – Uma situação dolorosa nunca é boa. A tristeza que envolve a perda pela morte de alguém que foi importante para nós é dura e custa a passar. Por outro lado, a perda do emprego e o fim de um relacionamento amoroso são circunstâncias que nos fazem parar para pensar. Revemos defeitos, analisamos conseqüências de nossos atos. Isso ajuda a encontrar equilíbrio na hora de começar de novo. A pessoa ganha maturidade.

ÉPOCA – O sentimento de perda provocado pela morte de alguém que amamos é depressão?

Horwitz – Não. É uma situação pesada. Mas a perda pela morte também faz parte da vida. Todos vamos perder pessoas queridas, e todos vamos morrer.

ÉPOCA – Como superar as fases mais complicadas?

Horwitz – O melhor a fazer é conversar com pessoas próximas. Falar com amigos e parentes. Procurar o apoio de quem nos conhece é o remédio ideal. A terapia também pode ajudar. Especialmente nos casos em que a tristeza se prolonga.

ÉPOCA – Desde quando a tristeza passou a ser medicada como doença?

Horwitz – Desde 1980, quando a Associação Americana de Psiquiatria lançou uma nova versão do manual de diagnósticos, que hoje está na quarta versão. O diagnóstico para distúrbios mentais se tornou generalista. Se alguém apresentar cinco sintomas daquela lista, é depressivo. Mas os médicos não se preocupam em questionar as circunstâncias.

ÉPOCA – Qual é a responsabilidade dos médicos nesse cenário?

Horwitz – Os médicos deixaram de considerar em que contexto esses sintomas surgem. Sei que no fundo é difícil para eles investigar as causas da tristeza, porque gastam no máximo 15 minutos com um paciente. É um contato muito breve – e fica mais fácil receitar uma pílula. Nem sempre é o que acreditam ser o melhor. Mas eles são pressionados pelo sistema de saúde – especialmente nos Estados Unidos – a não se prolongar em consultas. Os médicos estão falhando. Mas existem razões para essa falha.

ÉPOCA – E o paciente? Tem culpa?

Horwitz – Sim. Os médicos também cedem àquilo que o paciente deseja. Eles receitam o que o paciente pede quando chega ao consultório. Se não há evidências de que o paciente realmente sofre de algum transtorno, é uma atitude irresponsável.

ÉPOCA – O que é mais grave: tomar antidepressivos sem precisar ou ter uma depressão não tratada?

Horwitz – Alguém com depressão realmente precisa de tratamento. A intenção de nosso livro não é dizer que pessoas com problemas reais não devam ser tratadas da forma adequada, com remédios. Mas nos últimos anos ficou claro que consumir antidepressivos sem necessidade é um perigo. As duas situações são alarmantes.

ÉPOCA – A indústria farmacêutica colaborou para essa cultura de tratar a tristeza com medicamentos?

Horwitz – A indústria farmacêutica ganha muito dinheiro com antidepressivos. Promove esses produtos com anúncios mostrando pessoas felizes, que superaram seus problemas ao engolir uma pílula. É uma cena comum apresentada na publicidade. São casais, pais e filhos em situações do cotidiano, da família, do trabalho, que estão bem graças a um remédio. É um marketing poderoso e perigoso.

>> A Revista, na sua versão online, discute este tema em seu blog:

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388005

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=388006

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391483

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391815

http://adm.globolog.globo.com/globolog/publicacao/permalink.do?postId=391994

Erva brasileira tem eficácia contra hipertensão comprovada em laboratório

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Uma planta brasileira, usada popularmente contra várias doenças e como ingrediente de refrigerantes (Mineirinho e Mate Couro), pode ser eficaz contra hipertensão. Cientistas do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) descobriram que o extrato do chapéu-de-couro (Echinodorus grandiflorus) é vasodilatador.
A pesquisa de etnofarmacologia (ciência que estuda o uso popular de plantas) começou há quatro anos e mostrou a ação farmacológica da planta, típica de lugares pantanosos e comum nos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Na primeira fase, foi confirmado in vitro o efeito vasodilatador do extrato bruto da erva em artérias de coelhos. Essa comprovação levou os pesquisadores a analisar o poder vasodilatador da chapéu-de-couro no tratamento crônico de ratos hipertensos. Os cientistas constataram um efeito semelhante ao de medicamentos indicados contra a doença.
- O extrato teve ação anti-hipertensiva em animais, em laboratório. Usamos o extrato bruto, sem purificação. O próximo passo é fazer a avaliação toxicológica da chapéu-de-couro. Mas isso depende de novas pesquisas, que exigem investimento – diz o médico e farmacologista Eduardo Tibiriçá, chefe do Laboratório de Farmacologia Neuro-Cardiovascular do IOC.

“Não confie nos laboratórios” – O ex-executivo da Pfizer diz que as práticas da indústria farmacêutica são ilegais e antiéticas

>> Esta semana, a revista Época publica uma brilhante e elucidativa entrevista sobre como agem e o que buscam as indústrias farmacêuticas. Isto é o que está por trás de muitos ataques que a Homeopatia e as farmácias de manipulação recebem através da grande imprensa e do órgão governamental (ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que deveria zelar pela sua saúde antes de zelar pelos interesses financeiros dos gigantes da indústria farmacêutica. Leia com muita atenção esta entrevista, pois cada parágrafo mostra detalhes que o público em geral deveria desconhecer.

A entrevista foi concedida a Suzane Frutuoso:

Escritor sueco Peter Rost tornou-se o pesadelo da indústria farmacêutica. Ele foi demitido do cargo de vice-presidente de Marketing da Pfizer em dezembro de 2005, depois de acusar a companhia de promover de forma ilegal o uso de genotropin, um hormônio do crescimento. A substância era vendida como um potente remédio contra rugas. A empresa teria faturado US$ 50 milhões com o produto em 2002. No fim da década de 90, quando era diretor da Wyeth na Suécia, Rost denunciou também uma fraude na companhia: sonegação de impostos. Ele diz que agora se dedica a escrever o que sabe contra a indústria em seu blog e em livros. No começo do ano que vem, ele lançará Killer Drug (Remédio Assassino), história de ficção em que um laboratório desenvolve armas biológicas e contrata assassinos para atingir seus objetivos. “Mas eu diria que boa parte é baseada em fatos reais”, afirma.

ÉPOCA – O senhor comprou uma briga grande…
Peter Rost – Eu não. A diretoria da Pfizer é que começou a briga. Eu fazia meu trabalho. Certa vez, presenciei uma ação ilegal e cheguei a questioná-la. Fui ignorado. Quando falei o que sabia, eles me demitiram.

ÉPOCA – Depois das denúncias, houve algum tipo de ameaça?
Rost – Há cerca de um mês recebi uma, de um empresário indiano ligado ao setor. Ele disse que daria um jeito de acabar comigo. Nunca recebi ameaças das companhias. Elas são espertas demais para se expor desse jeito.

ÉPOCA – Como a indústria farmacêutica se tornou tão poderosa?
Rost – Eles ganham muito dinheiro, cerca de US$ 500 bilhões ao ano. E podem comprar a todos. Os laboratórios se tornaram donos da Casa Branca. O governo americano chega a negociar com os países pobres em nome deles. Como isso é feito? Os Estados Unidos pressionam esses países para que aceitem patentes além do prazo permitido (15 anos em média). Quando a patente se estende, os países demoram mais para ter acesso ao medicamento mais barato. E, se as nações pobres não aceitam a medida dos americanos, correm o risco de sofrer retaliação e de nem receber os medicamentos. Essa atitude é o equivalente a um assassinato em massa. Pessoas que dependem dos remédios para sobreviver, como os soropositivos, poderão morrer se o país não se sujeitar a esse esquema.

ÉPOCA – O Brasil quebrou a patente do medicamento Efavirenz, da Merck Sharp & Dohme, usado no tratamento contra a aids. O governo brasileiro acertou?
Rost – Sim. O governo brasileiro não tinha escolha. Ele tem obrigação com os cidadãos do país, não com as corporações internacionais preocupadas com lucro. O que é menos letal? Permitir que a população morra porque não tem acesso a um remédio ou quebrar uma patente? Para mim, é quebrar a patente. A lei de patente foi justamente estabelecida para incentivar a criação de medicamentos. Seria uma garantia para que os laboratórios tivessem lucro por um bom tempo e uma vantagem em troca de todo o dinheiro empregado durante anos no desenvolvimento de uma droga. Mas, se bilhões de pessoas estão sem tratamento, porque as patentes estão sendo prolongadas e os medicamentos continuam caros, há sinais de que a lei não funciona. Ela foi feita para ajudar, não para matar.

ÉPOCA – As práticas de venda da indústria farmacêutica colocam em risco a saúde da população mundial?
Rost – Não tenha dúvida. Basta lembrar o caso do Vioxx, antiinflamatório da Merck Sharp & Dohme retirado do mercado em 2004 por causar ataque cardíaco em milhares de pessoas pelo mundo.

ÉPOCA – Então, não podemos mais confiar nos laboratórios?
Rost– Não, não podemos confiar. A preocupação principal deles é ganhar dinheiro. As pessoas têm de se conscientizar disso. Cobrar posições claras de seus médicos, que também não são confiáveis, pois seguem as regras da indústria. Eles receitam o remédio do laboratório que lhes dá mais vantagens, como presentes ou viagens. É uma situação difícil para o paciente. Por isso, é importante ter a opinião de mais de um médico sobre uma doença. E checar se ele é ligado à indústria. Como saber? Verifique quantos brindes de laboratório ele tem no consultório. Se houver mais de cinco, é mau sinal.

ÉPOCA – Os laboratórios são acusados de ganhar dinheiro ao lançar remédios com os mesmos efeitos de outros já no mercado. O senhor concorda com essas acusações?
Rost – Sim. Eles desenvolvem drogas parecidas com as que já estão à venda. Não necessariamente são as mesmas substâncias químicas. No geral, são as que apresentam os mesmos efeitos colaterais. É por isso que existem dezenas de antiinflamatórios e de antidepressivos. É muito fácil criar um remédio quando já se conhecem os resultados e as desvantagens para o paciente. O risco de falha e de perder dinheiro é muito baixo. Os laboratórios não estão pensando no benefício do paciente. É pura concorrência.

ÉPOCA – É por isso que não se investe em tratamentos para doenças como a malária, mais comuns em países pobres?
Rost – Não há interesse em desenvolver medicamentos que possam acabar com doenças conhecidas há décadas. Os países pobres não podem pagar essa conta. O Brasil é visto pela indústria farmacêutica internacional como um mercado pequeno. Ela se baseia em dados de que apenas 10% dos brasileiros têm condições de pagar por medicamentos. Para eles, esse número não significa nada.

ÉPOCA – Segundo uma teoria, os laboratórios “criam” doenças para vender medicamentos. Isso é real?
Rost – É o caso da menopausa. Sei que as mulheres passam por problemas nesse período da vida. Mas não classifico a menopausa como doença. As mulheres usam medicamentos com estrógeno para amenizar calores e melhorar a elasticidade da pele. Os laboratórios se aproveitaram dessas reações naturais da menopausa e as classificaram como graves. Quando as mulheres tomam os remédios, sofrem infarto como efeito colateral.

ÉPOCA – As práticas ilegais da indústria farmacêutica são piores que as de outros setores, como o de tecnologia?
Rost – Sim, porque os laboratórios lidam com vida e morte. Você não vai morrer se a televisão ou o DVD não funcionarem direito.

ÉPOCA – Não devemos levar em consideração que, hoje, graças à pesquisa dos laboratórios, foi descoberta a cura para várias doenças e há maior qualidade de vida?
Rost – Claro que sim. Os laboratórios fizeram muita coisa boa. Em troca de muito dinheiro.

QUEM É PETER ROST
Médico, ex-vice-presidente de Marketing da Pfizer. Demitido por denunciar práticas ilegais do laboratório. Ganhou US$ 35 milhões no processo contra a empresa
VIDA PESSOAL
Casado e pai de dois filhos, nasceu na Suécia e mora nos Estados Unidos
O QUE PUBLICOU
The Whistleblower: Confessions of a Healthcare Hitman (O Denunciante: Confissões de um Combatente do Sistema de Saúde), lançado em 2006 nos EUA e inédito no Brasil

Entrevista com o Homeopata que luta para implantar a vacina homeopática contra dengue

Homeopata prevê fim da dengue em 2 ou 3 anos
Personagem principal de uma batalha de poderes que colocou Estado e Município frente a decisões do Ministério Público na semana passada, o homeopata Renan Marino, criador do complexo homeopático para dengue, afirma, em entrevista exclusiva ao BOM DIA, estar satisfeito com a repercussão que seu medicamento teve em âmbito nacional. “Fico feliz porque sabia que no final o bem venceria”, afirmou. Mas a luta ainda não acabou.

Você criou uma briga na saúde pública. Como se sente? Culpado?

Renan Marino – De maneira nenhuma. Estou satisfeito com o rumo dos acontecimentos. Apesar de se tornar uma discussão de fundo político, toda essa história de homeopatia ser ou não confiável só aumentou minha responsabilidade de defender a população. O fato de a ação do Estado contra o município ter sido recusada só mostra que estamos certos.

Como você encara o fato de a homeopatia ser vista por muitos como uma farsa?

Marino – Eu entendo com isso que as pessoas não têm o mínimo conhecimento sobre homeopatia e que, antes de acusarem, deveriam estudar esse tipo de medicina.

Onde você acreditar estar o fator que faz a diferença?

Marino – Enquanto a alopatia trabalha com princípios contrários (anti-inflamatório, por exemplo), a homeopatia segue a teoria do princípio dos semelhantes, ou seja, tudo o que é capaz de causar sintomas em um homem saudável será capaz de curar um homem doente. A diferença está aí. Enquanto a alopatia faz estudos científicos, a homeopatia trabalha direto com o ser humano.

Alopatas exigem o estudo duplo cego randomizado do complexo. É viável?

Marino – É ridículo pedirem o estudo duplo e aprovações em congressos médicos quando se trata de uma epidemia. Esses procedimentos demoram 10 anos. Saber que um remédio pode controlar uma epidemia e esperar a realização de burocracias como essa é omissão, negligência e imprudência.

O Estado entrou com uma ação contra o uso do medicamento alegando a hipótese de risco. Isso realmente existe?

Marino- A diretora do Centro de Vigilância Sanitária do Estado, Maria Cristina Megid, é desinformada. É algo inaceitável tendo em vista o cargo que ela ocupa. Como ela pode dizer que 50 frascos de 50 ml do complexo representa produção em escala industrial? Não aceito que fale sobre o que não sabe. O complexo não pode causar efeito colateral.

Alopatas afirmam não existir saída para a epidemia se a população não acabar com os criadouros. E na homeopatia? Tem como acabar com a dengue?

Marino – Claro que existe saída. Enquanto a engenharia genética pode desenvolver uma técnica para controlar o vetor, a homeopatia pode elevar o nível de resposta do hospedeiro, que sairá de vítima e agirá contra o vírus. Abaixamos a taxa de transmissão de sete para dois dias. Assim o mosquito tem menos tempo de se contaminar e reduziremos os focos de dengue, que em dois ou três anos estarão isolados.

Cidade atinge epidemia esta semana
À beira de uma epidemia, postos de saúde de Rio Preto estão prestes a suspender exames de confirmação de dengue. Na sexta-feira, a Secretária de Saúde confirmou 950 casos na cidade.

A epidemia será consumada se o número ultrapassar os 1,1 mil registros. Na semana passada 83 novos casos positivos da doença foram registrados em Rio Preto. A média é de 11 registros por dia.

No mês passado o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado suspendeu a realização de exames de sorologia em Mirassol, após a epidemia ser confirmada.

Enquanto fica atenta com os números, a secretária municipal aguarda decisão judicial sobre a tentativa do Estado de suspender o uso da homeopatia para o tratamento da dengue.

A Vigilância Sanitária Estadual recolheu o medicamento dos postos de saúde na semana passada. A justificativa é a hipótese de risco iminente à saúde pública, por não conhecer os efeitos do remédio homeopático e por não concordar com a forma de produção.

O município, que tem gestão plena, resistiu. A Vigilância Sanitária do Estado esteve na cidade, suspendeu as ações. O Estado também fez representação ao Ministério Público, indeferida.

Podem o amor e o sexo ser nocivos à vida de alguém?

Por mais surpreendente que possa parecer, a resposta é SIM. A partir do momento em que alguém age COMPULSIVAMENTE em busca de romance, paixões, relações sexuais (hetero ou homossexuais; com uma, duas, ou muitas pessoas, das mais diversas maneiras), isso se torna uma doença, que passa a controlar a vida desta pessoa, que coloca essas práticas amorosas ou sexuais como centro de sua vida. Assim, há um prejuízo mais ou menos evidente dos demais aspectos de sua vida, como a vida em família, o trabalho, as amizades, interesses culturais, artísticos e religiosos, etc. Vale ressaltar que o que torna qualquer dessas práticas prejudicial é o caráter COMPULSIVO delas e não as práticas em si, ou seja, o fato de alguém se apaixonar por outra pessoa não é uma doença, mas a necessidade de só se sentir bem quando se está apaixonado, buscando inesgotavelmente novas pessoas para se apaixonar é uma doença e causa um sofrimento enorme, uma angústia constante, com a sensação de fracasso recorrente. Este é apenas um dos exemplos da COMPULSÃO por amor e sexo que, por envolver um sentimento e uma atividade vitais à vida de qualquer pessoa, é uma DOENÇA que exige um tratamento intensivo, já que a cura não se constitui em se afastar do objeto de sua COMPULSÃO, como seria o caso se fosse por fumar, por exemplo, em que a pessoa deveria afastar-se definitivamente dos cigarros, para que essa COMPULSÃO não fosse deflagrada. No caso de amor e sexo, a vida sem eles tornar-se-ia vazia e sem sal! Por isso, o tratamento visa rastrear a BIOGRAFIA da pessoa que sofre dessa COMPULSÃO, em busca de um entendimento de sua causa, que pode ter diversas origens, para que possamos amar e viver o sexo em plenitude, sem que sejamos escravizados. Aliás, esta é uma doença multifatorial, ou seja, é o resultado de influências diversas: uma pessoa predisposta geneticamente que sofre os efeitos de experiências vividas em seu desenvolvimento, e/ou de influências dos meios de comunicação que nos bombardeiam diariamente com noções falsas e glamurosas a respeito de amor e sexo.

Através de um novo entendimento de nossas vidas e de nossos sentimentos, de ações concretas, e de VONTADE, essa COMPULSÃO pode ser compreendida e controlada, nos liberando para vivermos em plenitude, descobrindo novos prazeres e significados em cada ato, cada gesto, cada momento. Passamos a não ser mais escravos de uma COMPULSÃO, mas donos de nossa própria VONTADE, exercendo o livre arbítrio, enfim.

Automedicação traz riscos à saúde

Luciana Ackermann O Globo Online

RIO – Quem costuma ir à farmácia comprar um remédio para aliviar o mal-estar ou qualquer dor rotineira deve tomar cuidado para não ficar pior e prejudicar a saúde. Segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma), todo ano cerca de 20 mil pessoas morrem no país, vítimas da automedicação. A maior incidência de problemas relacionados à prática está ligada à intoxicação e às reações de hipersensibilidade ou alergia.

Muito comum entre os idosos, o hábito de se automedicar representa um risco iminente à saúde. Em geral, eles já apresentam doenças crônicas e fazem o uso de medicamentos recomendados pelos médicos. Ao usar outros remédios, eles podem desestabilizar os tratamentos a que vêm sendo submetidos, assim como provocar uma intoxicação.

Segundo pesquisa realizada pela Secretaria Especial da Terceira Idade do Rio de Janeiro, das 2.019 pessoas entrevistadas, acima de 60 anos, 44% delas admitiram que usam medicamentos sem prescrição médica.

Marianela Flores Hekman, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), diz que em seu dia-a-dia como geriatra são comuns os relatos de pacientes que passaram a tomar determinados medicamentos a partir das recomendações de vizinhas, amigas, parentes e farmacêuticos.

- Isso é um perigo porque os medicamentos prescritos por médicos já têm efeitos colaterais que são monitorados pelo profissional. Por isso, tem de seguir à risca os horários e a quantidade indicada. Qualquer nova substância pode desencadear novos efeitos. Então, antes de tomar qualquer remédio é preciso perguntar a opinião do médico. Até mesmo o uso de fitoterápicos e de vitaminas deve ser informado. O ideal é que o idoso faça um resumo de todos os medicamentos ou leve as caixinhas deles para que o médico saiba tudo o que está se passando com o paciente de forma global – afirma Marianela.

Ela contou que já atendeu uma paciente com hemorragia digestiva provocada pela ingestão de um xarope contendo babosa e álcool.

- Foi bem difícil diagnosticar o que poderia ter provocado a hemorragia porque essa senhora não contou que estava tomando o xarope e todos os outros medicamentos estavam controlados e administrados de forma correta -

Ela também citou uma pesquisa da Universidade Luterana do Brasil (ULBRA) onde 40,7% dos idosos entrevistados em Canoas, no Rio Grande do Sul, têm o hábito de se automedicar.

De acordo com Antonio José Carneiro, professor adjunto e doutor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ulbra), os analgésicos, os antiinflamatórios e os antigripais são os medicamentos mais usados indevidamente pelos idosos. Porém, ele ressalta que mesmo os remédios aparentemente inofensiveis podem causar complicações.

No caso dos analgésicos, cujo princípio ativo é o ácido acetilsalicílico, o uso indiscriminado pode causar lesão aguda na mucosa gástrica e é contra-indicado em pacientes que já tiveram úlceras. Também possui ação anticoagulante que pode provocar sangramentos e hemorragias internas. Já os antiinflamatórios podem causar descompasso no quadro daqueles que têm problemas cardíacos, renais, além do aumento de pressão arterial. Os antigripais também podem aumentar a pressão arterial, além da intra-ocular e os batimentos cardíacos. Alguns deles também possuem substâncias que podem afetar a próstata gerando a retenção urinária.

Destaca-se que o consumo de medicamentos sem prescrição, tem sido favorecido pela multiplicidade de produtos farmacêuticos lançados no mercado e pela publicidade que os cerca, pela simbolização da saúde que o medicamento pode representar e pelo incentivo ao autocuidado, além de outros fatores.