De O Globo
RIO – Têka perdeu os movimentos do corpo e não fala há um ano e oito meses. Ela teve um derrame quatro meses depois que começou a tomar um remédio para emagrecer, por conta própria. Os brasileiros são campeões mundiais no consumo de inibidores de apetite. Para reverter esse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aumentou o controle sobre a venda desses medicamentos. As novas regras já estão em vigor.
Uma das medidas limita a quantidade do remédio que o médico pode prescrever em cada receita. Antes, era permitido um estoque para até dois meses; agora, o paciente só poderá comprar o necessário para um mês de tratamento.
O presidente da Anvisa, Dirceu Raposo, diz que essa nova restrição vai ajudar também a combater um tipo de venda ilegal.
- A prescrição de uma receita de três caixas muitas vezes levava o paciente, pelo custo do tratamento, a adquirir apenas uma caixa. Assim, a receita autorizava a farmácia a ficar com as duas caixas que não foram comercializadas. Isso poderia levar à comercialização por um mercado paralelo – explica.
A resolução determina ainda as doses máximas de cada substância que o paciente pode tomar e proíbe o uso de inibidores associado com laxantes, diuréticos, remédios para ansiedade ou depressão.
- Se o paciente procurar um médico e ele orientar mudança de vida, atividade física e nutrição, faça; se o paciente sair com uma receita com mais de um medicamento, desconfie – ensina Neuton Dornelas Gomes, presidente regional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia.

