Homeopata prevê fim da dengue em 2 ou 3 anos
Personagem principal de uma batalha de poderes que colocou Estado e Município frente a decisões do Ministério Público na semana passada, o homeopata Renan Marino, criador do complexo homeopático para dengue, afirma, em entrevista exclusiva ao BOM DIA, estar satisfeito com a repercussão que seu medicamento teve em âmbito nacional. “Fico feliz porque sabia que no final o bem venceria”, afirmou. Mas a luta ainda não acabou.
Você criou uma briga na saúde pública. Como se sente? Culpado?
Renan Marino – De maneira nenhuma. Estou satisfeito com o rumo dos acontecimentos. Apesar de se tornar uma discussão de fundo político, toda essa história de homeopatia ser ou não confiável só aumentou minha responsabilidade de defender a população. O fato de a ação do Estado contra o município ter sido recusada só mostra que estamos certos.
Como você encara o fato de a homeopatia ser vista por muitos como uma farsa?
Marino – Eu entendo com isso que as pessoas não têm o mínimo conhecimento sobre homeopatia e que, antes de acusarem, deveriam estudar esse tipo de medicina.
Onde você acreditar estar o fator que faz a diferença?
Marino – Enquanto a alopatia trabalha com princípios contrários (anti-inflamatório, por exemplo), a homeopatia segue a teoria do princípio dos semelhantes, ou seja, tudo o que é capaz de causar sintomas em um homem saudável será capaz de curar um homem doente. A diferença está aí. Enquanto a alopatia faz estudos científicos, a homeopatia trabalha direto com o ser humano.
Alopatas exigem o estudo duplo cego randomizado do complexo. É viável?
Marino – É ridículo pedirem o estudo duplo e aprovações em congressos médicos quando se trata de uma epidemia. Esses procedimentos demoram 10 anos. Saber que um remédio pode controlar uma epidemia e esperar a realização de burocracias como essa é omissão, negligência e imprudência.
O Estado entrou com uma ação contra o uso do medicamento alegando a hipótese de risco. Isso realmente existe?
Marino- A diretora do Centro de Vigilância Sanitária do Estado, Maria Cristina Megid, é desinformada. É algo inaceitável tendo em vista o cargo que ela ocupa. Como ela pode dizer que 50 frascos de 50 ml do complexo representa produção em escala industrial? Não aceito que fale sobre o que não sabe. O complexo não pode causar efeito colateral.
Alopatas afirmam não existir saída para a epidemia se a população não acabar com os criadouros. E na homeopatia? Tem como acabar com a dengue?
Marino – Claro que existe saída. Enquanto a engenharia genética pode desenvolver uma técnica para controlar o vetor, a homeopatia pode elevar o nível de resposta do hospedeiro, que sairá de vítima e agirá contra o vírus. Abaixamos a taxa de transmissão de sete para dois dias. Assim o mosquito tem menos tempo de se contaminar e reduziremos os focos de dengue, que em dois ou três anos estarão isolados.
Cidade atinge epidemia esta semana
À beira de uma epidemia, postos de saúde de Rio Preto estão prestes a suspender exames de confirmação de dengue. Na sexta-feira, a Secretária de Saúde confirmou 950 casos na cidade.
A epidemia será consumada se o número ultrapassar os 1,1 mil registros. Na semana passada 83 novos casos positivos da doença foram registrados em Rio Preto. A média é de 11 registros por dia.
No mês passado o Centro de Vigilância Epidemiológica do Estado suspendeu a realização de exames de sorologia em Mirassol, após a epidemia ser confirmada.
Enquanto fica atenta com os números, a secretária municipal aguarda decisão judicial sobre a tentativa do Estado de suspender o uso da homeopatia para o tratamento da dengue.
A Vigilância Sanitária Estadual recolheu o medicamento dos postos de saúde na semana passada. A justificativa é a hipótese de risco iminente à saúde pública, por não conhecer os efeitos do remédio homeopático e por não concordar com a forma de produção.
O município, que tem gestão plena, resistiu. A Vigilância Sanitária do Estado esteve na cidade, suspendeu as ações. O Estado também fez representação ao Ministério Público, indeferida.